PRÉMIO FOTOGRAFIA
Daniel Skramesto ganhou um importante prémio internacional com o seu trabalho fotográfico. Além da escrita provocatória para o mini-burgo que nos abriga, ainda se atreve explícito.
Ai, Ai!... (Esquece o patrocínio do BCP...).
Ver aqui.
ps: almas homofóbicas, abstenham-se. Sugiro, eu...
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
31 de maio de 2005
27 de maio de 2005
A CIBERNÉTICA
Não há tempo para dormir nem para descansar. Mas ela vai nascendo...
De 9 a 30 de Junho espero que muitos caminhos vão dar ao Espaço Atmosferas/Casa Amarela, da rua da Boavista em Lisboa.
Só para os que acreditam na existência de peças que sejam cómicas, dramáticas, absurdas e emotivas... ao mesmo tempo, está a nascer A CIBERNÉTICA...
Não há tempo para dormir nem para descansar. Mas ela vai nascendo...
De 9 a 30 de Junho espero que muitos caminhos vão dar ao Espaço Atmosferas/Casa Amarela, da rua da Boavista em Lisboa.
Só para os que acreditam na existência de peças que sejam cómicas, dramáticas, absurdas e emotivas... ao mesmo tempo, está a nascer A CIBERNÉTICA...
25 de maio de 2005
A CONSPIRAÇÃO DOS SOBREIROS
O grupo (momento de persignação) Espírito Santo, gastou hoje 2 páginas do Público (com este dinheiro montava uma peça de teatro... - suspiro - ou pelo menos poderia pensar quanto custará subornar um funcionário da câmara para que nãose esforce tanto em impedir que se façam espectáculos não-subsidiados...- enfim, adiante...) para "provar a sua boa-fé". Adiante-se já, à laia de aviso, que o anúncio termina com alusão ao destino dos que se atreveram a cutucar a onça: "Pouparemos os seus nomes à irrisão pública que merecem, e confiaremos que os Tribunais, a quem serenamente os entregaremos, farão JUSTIÇA."
Gosto do "serenamente", que não via desde os tempos da Inquisição, onde todos os que chateavam a mona aos poderosos eram entregues "serenamente" à tortura e à morte. As maiúsculas de "JUSTIÇA", também têm o seu quê de poético.
Sobre o caso dos sobreiros "alentejanos", segundo Santana Lopes (na entrevista à RTP 1, manifestou sobre esta questão o seu amor à natureza e "ao Alentejo", que como se sabe, teria de se esticar para tocar em Benavente... Mas a ignorância deste burro-vestido (em sentido restricto) é tanta que nem vale a pena comentar...), lemos um grito de revolta. A mesma que foi sentida em 1975 quando se transformaram nas "vítimas de Abril", como agora é moda dizer-se.
Breve: a coisa terá sido toda útil, maravilhosa para a região e o que são 3000 sobreiros (o previsto) no meio de uma mata com 35000?
Fiquemo-nos apenas com este naco de prosa:
"O projecto PORTUCALE envolve a criação de pelo menos 400 novos empregos. A área de implantação do projecto, anteriormente, dava trabalho a um pastor e um cão durante seis meses por ano e a meia-dúzia de corticeiros de 9 em 9 anos". Para quem não saiba... a cortiça é retirada ALTERNADAMENTE em espaços temporais entre 7 a 9 anos. Ou seja, para 35000 sobreiros seria qualquer coisa como retirar a cortiça a cerca de 5 mil sobreiros por ano. O que era capaz de dar trabalho a um pouco mais de 6 pessoas, todos os anos... Digo eu, contas por alto...
"A água necessária para regar os golfes já instalados daria(...) para regar um campo de milho de 30 hectares (...) A receita de um campo de milho dessa dimensão poderá ser no máximo de 40.000 euros por ano, gerando cerca de 0, 5 (????) empregos ano. Estes valores comparam com uma receita mínima de 600.000 euros/ano na exploração do golfe e com a criação de centenas de empregos permanentes directos e indirectos".
Eu por mim, fiquei convencido. Mais: se houve gente do PP a mexer cordelinhos para que projectos tão altruístas fossem aprovados, Deus e o Papa os protejam. Que se lixe a ecologia e a lei... ora a lei... Que se abata serenamente!
O grupo (momento de persignação) Espírito Santo, gastou hoje 2 páginas do Público (com este dinheiro montava uma peça de teatro... - suspiro - ou pelo menos poderia pensar quanto custará subornar um funcionário da câmara para que nãose esforce tanto em impedir que se façam espectáculos não-subsidiados...- enfim, adiante...) para "provar a sua boa-fé". Adiante-se já, à laia de aviso, que o anúncio termina com alusão ao destino dos que se atreveram a cutucar a onça: "Pouparemos os seus nomes à irrisão pública que merecem, e confiaremos que os Tribunais, a quem serenamente os entregaremos, farão JUSTIÇA."
Gosto do "serenamente", que não via desde os tempos da Inquisição, onde todos os que chateavam a mona aos poderosos eram entregues "serenamente" à tortura e à morte. As maiúsculas de "JUSTIÇA", também têm o seu quê de poético.
Sobre o caso dos sobreiros "alentejanos", segundo Santana Lopes (na entrevista à RTP 1, manifestou sobre esta questão o seu amor à natureza e "ao Alentejo", que como se sabe, teria de se esticar para tocar em Benavente... Mas a ignorância deste burro-vestido (em sentido restricto) é tanta que nem vale a pena comentar...), lemos um grito de revolta. A mesma que foi sentida em 1975 quando se transformaram nas "vítimas de Abril", como agora é moda dizer-se.
Breve: a coisa terá sido toda útil, maravilhosa para a região e o que são 3000 sobreiros (o previsto) no meio de uma mata com 35000?
Fiquemo-nos apenas com este naco de prosa:
"O projecto PORTUCALE envolve a criação de pelo menos 400 novos empregos. A área de implantação do projecto, anteriormente, dava trabalho a um pastor e um cão durante seis meses por ano e a meia-dúzia de corticeiros de 9 em 9 anos". Para quem não saiba... a cortiça é retirada ALTERNADAMENTE em espaços temporais entre 7 a 9 anos. Ou seja, para 35000 sobreiros seria qualquer coisa como retirar a cortiça a cerca de 5 mil sobreiros por ano. O que era capaz de dar trabalho a um pouco mais de 6 pessoas, todos os anos... Digo eu, contas por alto...
"A água necessária para regar os golfes já instalados daria(...) para regar um campo de milho de 30 hectares (...) A receita de um campo de milho dessa dimensão poderá ser no máximo de 40.000 euros por ano, gerando cerca de 0, 5 (????) empregos ano. Estes valores comparam com uma receita mínima de 600.000 euros/ano na exploração do golfe e com a criação de centenas de empregos permanentes directos e indirectos".
Eu por mim, fiquei convencido. Mais: se houve gente do PP a mexer cordelinhos para que projectos tão altruístas fossem aprovados, Deus e o Papa os protejam. Que se lixe a ecologia e a lei... ora a lei... Que se abata serenamente!
22 de maio de 2005
FUTEBOL
1. Mesmo quem não liga nada à coisa consegue perceber que Portugal só tem um clube verdadeiramente nacional. De Lisboa para cima e para baixo; de Portugal a África e ao resto do mundo, esta foi a noite do SLB!SLB!
2. Julgo que foi desmentida a notícia de que Pinto da Costa teria oferecido milhares de contos aos jogadores do Boavista, além de toda a espécie de facilidades futuras, caso ganhassem ao acima referido. Ainda bem que era mentira. Mesmo sabendo o que actualmente se poupa em árbitros estou certo que a prioridade do clube azul é pagar os impostos em dívida. Os milhões de contos em dívida. Só espero que os campeões e os restantes parceiros também se lembrem que a essência do dinheiro é circular nos dois sentidos. Por exemplo, das transacções de jogadores para o erário público.
3. Este é um país actualmente incapaz de produzir seja o que fôr de útil, nem que seja um pensamento. Mas a indústria de cachecóis e cervejas vai de vento em pôpa...
1. Mesmo quem não liga nada à coisa consegue perceber que Portugal só tem um clube verdadeiramente nacional. De Lisboa para cima e para baixo; de Portugal a África e ao resto do mundo, esta foi a noite do SLB!SLB!
2. Julgo que foi desmentida a notícia de que Pinto da Costa teria oferecido milhares de contos aos jogadores do Boavista, além de toda a espécie de facilidades futuras, caso ganhassem ao acima referido. Ainda bem que era mentira. Mesmo sabendo o que actualmente se poupa em árbitros estou certo que a prioridade do clube azul é pagar os impostos em dívida. Os milhões de contos em dívida. Só espero que os campeões e os restantes parceiros também se lembrem que a essência do dinheiro é circular nos dois sentidos. Por exemplo, das transacções de jogadores para o erário público.
3. Este é um país actualmente incapaz de produzir seja o que fôr de útil, nem que seja um pensamento. Mas a indústria de cachecóis e cervejas vai de vento em pôpa...
20 de maio de 2005
NÃO TE MEXAS!
Há uns tempos atrás, um ex-aluno meu contava-me que no munda da publicidade só sobrevivia quem se mantivesse invisível. Dentro de uma empresa, claro. Ocupando uma função menos remunerada, claro. Elogiar as brilhantes ideias também ajudaria, mas ao menos que se não levantassem ondas.
Julgo que o mesmo conceito se aplica à maior parte da sociedade portuguesa. Ninguém se lembre de fazer nada. Muito menos de galvanizar energias em torno de um projecto. De imediato se levantará a entourage para o sufocar; para lhe dificultar a vida; para o denegrir contra toda a evidência.
Fala-se muito em inveja. É verdade. Mas é mais mesquinhez; voo rasante sobre o charco; deleitar nos próprios odores.
As entidades oficiais partilham deste sentimento, cobrindo-se de regulamentos e papéis capazes de retirar o ânimo a Aquiles. Cobardes, são incapazes de manter em ordem a casa de todos, mas mordem com cegueira quando o cidadão cumpridor se apresenta para fazer o que deve.
Este é um país com um cancro de mediocridade espalhado pelo corpo todo. Tresanda nas trevas em que mergulhou já ninguém se lembra quando.
Não, não somos todos preguiçosos, invejosos, maldizentes sem razão. E por mais que tentem nivelar-nos a todos por baixo, ainda assim, alguns vão continuar a criar, a lutar pela justiça, a proteger os mais fracos.
Porque o lodo não pode durar para sempre. Não pode.
Há uns tempos atrás, um ex-aluno meu contava-me que no munda da publicidade só sobrevivia quem se mantivesse invisível. Dentro de uma empresa, claro. Ocupando uma função menos remunerada, claro. Elogiar as brilhantes ideias também ajudaria, mas ao menos que se não levantassem ondas.
Julgo que o mesmo conceito se aplica à maior parte da sociedade portuguesa. Ninguém se lembre de fazer nada. Muito menos de galvanizar energias em torno de um projecto. De imediato se levantará a entourage para o sufocar; para lhe dificultar a vida; para o denegrir contra toda a evidência.
Fala-se muito em inveja. É verdade. Mas é mais mesquinhez; voo rasante sobre o charco; deleitar nos próprios odores.
As entidades oficiais partilham deste sentimento, cobrindo-se de regulamentos e papéis capazes de retirar o ânimo a Aquiles. Cobardes, são incapazes de manter em ordem a casa de todos, mas mordem com cegueira quando o cidadão cumpridor se apresenta para fazer o que deve.
Este é um país com um cancro de mediocridade espalhado pelo corpo todo. Tresanda nas trevas em que mergulhou já ninguém se lembra quando.
Não, não somos todos preguiçosos, invejosos, maldizentes sem razão. E por mais que tentem nivelar-nos a todos por baixo, ainda assim, alguns vão continuar a criar, a lutar pela justiça, a proteger os mais fracos.
Porque o lodo não pode durar para sempre. Não pode.
IN NOMINE...
Para que de uma vez por todas se perceba que o meu nome não é um delírio contemporâneo e muito menos (sorry tias-louras) um desagrado oitocentista, dê-se aqui uma olhadela ;)
Para que de uma vez por todas se perceba que o meu nome não é um delírio contemporâneo e muito menos (sorry tias-louras) um desagrado oitocentista, dê-se aqui uma olhadela ;)
17 de maio de 2005
UM TERÇO DO SALÁRIO PARA O DOBRO DO PREÇO
Os italianos devem ser muito despegados do dinheiro. Só assim se explica que nos mercados as laranjas custassem50 cts o quilo, e os vegetais fossem todos corridos na casa de 1 euro ou menos.
Nós não. Damos mais importância à fruta. Por isso, com ordenados inferiores tabelamos tudo, pelo menos para o dobro.
Os italianos devem ser muito despegados do dinheiro. Só assim se explica que nos mercados as laranjas custassem50 cts o quilo, e os vegetais fossem todos corridos na casa de 1 euro ou menos.
Nós não. Damos mais importância à fruta. Por isso, com ordenados inferiores tabelamos tudo, pelo menos para o dobro.
LISBOA MORTA
O português odeia que lhe peçam responsabilidades. Está feito, está feito. Correu mal? Azarinho!!E toca a andar, meu amigo...
Desde há mais de um ano que somos obrigados a andar com o cartão LISBOA VIVA, no Metro e nos autocarros. Enconsta-se a coisa à máquina e as portas abrem-se ou somos brindados com uma luz de esperança. O meu, resolveu avariar-se. As portas deixaram de se abrir e da luz, nem sinal.
Resolvi ir a uma estação de metro pedir substituição. Erro meu. "Isso tem de ir ter com quem lhe vendeu... Ai foi a Carris??? Ah, então isso é com eles., "Mas experimente a ir ao sítio onde lhe fizeram o passe...". Na ocorrência era no Marquês de Pombal. Que não podiam fazer nada, que fosse até um dos postos oficiais da Carris. "Mas tenho de ir de Metro, até lá, como é que faço?". Que pedisse na bilheteira uma coisa que me abrisse temporariamente as portas. E lá fui pedir. Mas a senhora estava mal disposta e resolveu chamar-me mentiroso, que ninguém me teria dito nada disso, pegou no telefone e confirmou que a delirante era ela, mas que me haveria de dar o mínimo " e por favor". Foram-me abrir a porta do metro, mas sempre discursando que não tinham responsabilidade nenhuma no processo; que vendiam e recebiam parte do dinheiro, mas que responsabilidade era sempre com a outra parte, no caso das coisas correrem mal.
Saí no Rossio, esperei na fila, um velho atendeu-me. Que queria? O passe avariado? Ia-se ver. Precisa de uma fotografia que é para ir tudo para Santo Amaro. Mas eles já têm a minha foto digitalizada... "Mau! Se ele dizia que tinha de ser mais uma fotografia...". E pensando melhor... Devia era apanhar o eléctrico 15 (sem poder usar o passe, claro) e ir eu próprio até Santo Amaro (que fica entre o cu de Judas e Nossa Senhora do Nunca Mais lá Chego). Fui-me embora. Quando descansar, vou tentar de novo.
O português odeia que lhe peçam responsabilidades. Está feito, está feito. Correu mal? Azarinho!!E toca a andar, meu amigo...
Desde há mais de um ano que somos obrigados a andar com o cartão LISBOA VIVA, no Metro e nos autocarros. Enconsta-se a coisa à máquina e as portas abrem-se ou somos brindados com uma luz de esperança. O meu, resolveu avariar-se. As portas deixaram de se abrir e da luz, nem sinal.
Resolvi ir a uma estação de metro pedir substituição. Erro meu. "Isso tem de ir ter com quem lhe vendeu... Ai foi a Carris??? Ah, então isso é com eles., "Mas experimente a ir ao sítio onde lhe fizeram o passe...". Na ocorrência era no Marquês de Pombal. Que não podiam fazer nada, que fosse até um dos postos oficiais da Carris. "Mas tenho de ir de Metro, até lá, como é que faço?". Que pedisse na bilheteira uma coisa que me abrisse temporariamente as portas. E lá fui pedir. Mas a senhora estava mal disposta e resolveu chamar-me mentiroso, que ninguém me teria dito nada disso, pegou no telefone e confirmou que a delirante era ela, mas que me haveria de dar o mínimo " e por favor". Foram-me abrir a porta do metro, mas sempre discursando que não tinham responsabilidade nenhuma no processo; que vendiam e recebiam parte do dinheiro, mas que responsabilidade era sempre com a outra parte, no caso das coisas correrem mal.
Saí no Rossio, esperei na fila, um velho atendeu-me. Que queria? O passe avariado? Ia-se ver. Precisa de uma fotografia que é para ir tudo para Santo Amaro. Mas eles já têm a minha foto digitalizada... "Mau! Se ele dizia que tinha de ser mais uma fotografia...". E pensando melhor... Devia era apanhar o eléctrico 15 (sem poder usar o passe, claro) e ir eu próprio até Santo Amaro (que fica entre o cu de Judas e Nossa Senhora do Nunca Mais lá Chego). Fui-me embora. Quando descansar, vou tentar de novo.
16 de maio de 2005
ITÁLIA
Portugal como tema do festival literário PASSPARTOUT, de Asti. Vários escritores portugueses por ali passaram, dando uma panorâmica da literatura portuguesa actual aos italianos.
Pessoa musicado e cantado sob abóbadas centenárias e casas cheias para ouvir falar de livros estrangeiros.
Mais ou menos o que acontece por cá...
Portugal como tema do festival literário PASSPARTOUT, de Asti. Vários escritores portugueses por ali passaram, dando uma panorâmica da literatura portuguesa actual aos italianos.
Pessoa musicado e cantado sob abóbadas centenárias e casas cheias para ouvir falar de livros estrangeiros.
Mais ou menos o que acontece por cá...
12 de maio de 2005
COMENTADOR FUTURISTA
O pobre do Luís Delgado lá estava, na Sic Notícias, a dizer com ar aflito "que achava estranho que o Ministério Público andasse a investigar as decisões tomadas pelo anterior governo, aquando da dissolução da A. R.". Que não seria costume. Uma mania inesperada...
Tive pena do seu ar de passarinho desasado... Por momentos até me esqueci que os milhares de contos que leva para casa por mês se devem a uma certa... proximidade com a coisa ida.
Ele que não fique aflito com tanta investigação ao poder económico. Primeiro, porque não dará em nada. Os polícias estão só a demonstrar trabalho, mas os juizes não são malucos para se irem meter com quem lhes pode fazer a carreira difícil. E depois... ainda ninguém mencionou o grupo PT.
Por enquanto, é claro.
O pobre do Luís Delgado lá estava, na Sic Notícias, a dizer com ar aflito "que achava estranho que o Ministério Público andasse a investigar as decisões tomadas pelo anterior governo, aquando da dissolução da A. R.". Que não seria costume. Uma mania inesperada...
Tive pena do seu ar de passarinho desasado... Por momentos até me esqueci que os milhares de contos que leva para casa por mês se devem a uma certa... proximidade com a coisa ida.
Ele que não fique aflito com tanta investigação ao poder económico. Primeiro, porque não dará em nada. Os polícias estão só a demonstrar trabalho, mas os juizes não são malucos para se irem meter com quem lhes pode fazer a carreira difícil. E depois... ainda ninguém mencionou o grupo PT.
Por enquanto, é claro.
11 de maio de 2005
RETRATO DE UM HOMEM SÉRIO
Estou a precisar de ganhar dinheiro. Acho que me vou inscrever no CDS-PP. Ponho o ar mais honesto e severo deste mundo, grito contra as mulheres que fazem abortos em vez de encherem periodicamente o bucho e arranjo um tacho num ministério qualquer.
Ah: e mando abater sobreiros para que o Espírito Santo se mostre agradecido.
Estou a precisar de ganhar dinheiro. Acho que me vou inscrever no CDS-PP. Ponho o ar mais honesto e severo deste mundo, grito contra as mulheres que fazem abortos em vez de encherem periodicamente o bucho e arranjo um tacho num ministério qualquer.
Ah: e mando abater sobreiros para que o Espírito Santo se mostre agradecido.
9 de maio de 2005
REINO DOS CÉUS
O último filme do Ridley Scott (fraquito, cinematograficamente falando...) remete-nos para a questão: o que mudou em mil anos. Basta abrir o televisão para vermos que só as bombas se tornaram mais sofisticadas e as setas são disparadas de um cano de aço. Continuamos a bater-nos, literalmente, pela ideia da criação de um reino sagrado, na Terra, só poderá ser governado por um Deus totalitário.
O último filme do Ridley Scott (fraquito, cinematograficamente falando...) remete-nos para a questão: o que mudou em mil anos. Basta abrir o televisão para vermos que só as bombas se tornaram mais sofisticadas e as setas são disparadas de um cano de aço. Continuamos a bater-nos, literalmente, pela ideia da criação de um reino sagrado, na Terra, só poderá ser governado por um Deus totalitário.
6 de maio de 2005
O CAMINHO MENOS PERCORRIDO
Dou por mim a lançar às audiências o mesmo discurso, cada vez mais insistente: não acreditem. Nas escolas, nos locais de conferência, por escrito. A mesma imagem das ovelhas alienadas; o caminhar confiante delas a caminho do matadouro; os seus balidos de desconfiança a quem lhes diz "fujam". Não acreditem no que se diz nas televisões, leiam os jornais com a reserva de quem sabe estar em mãos afiadas para a tosquia das gentes. Pensem. Leiam livros escritos há muito tempo, filtrados pela História. Não condenem automaticamente o que vos dizem para condenar, não obedeçam sem reflectir. A Alienação existe. E é sempre mais forte do que a nossa capacidade de avaliar.
Nossa Senhora só aparece às futuras freiras e a crianças mortas. Um apresentador de telejornal pensa na prestação da casa que cairá a 30 do corrente antes de enfiar a cara séria. O homem de meia-idade que condena o comportamento irregular do vizinho passa todos os domingos os olhos pelo rabo da empregada de pastelaria que o serve em família; algumas vezes tem no seu telemóvel o número de uma voz mais nova e nem por isso mais fresca com que se esfregará, apressado, se ela deixar.
Digo: "Não acreditem", e ouço ao fundo a minha própria televisão. Thank God que só o gato a mira, mais interessado na mosca que insiste em esvoaçar diante dos rodapés dramáticos.
Dou por mim a repetir tudo isto, insistentemente. Para quê?... Se as ovelhas mal sentem o ferro que lhes abrirá o crânio?
Dou por mim a lançar às audiências o mesmo discurso, cada vez mais insistente: não acreditem. Nas escolas, nos locais de conferência, por escrito. A mesma imagem das ovelhas alienadas; o caminhar confiante delas a caminho do matadouro; os seus balidos de desconfiança a quem lhes diz "fujam". Não acreditem no que se diz nas televisões, leiam os jornais com a reserva de quem sabe estar em mãos afiadas para a tosquia das gentes. Pensem. Leiam livros escritos há muito tempo, filtrados pela História. Não condenem automaticamente o que vos dizem para condenar, não obedeçam sem reflectir. A Alienação existe. E é sempre mais forte do que a nossa capacidade de avaliar.
Nossa Senhora só aparece às futuras freiras e a crianças mortas. Um apresentador de telejornal pensa na prestação da casa que cairá a 30 do corrente antes de enfiar a cara séria. O homem de meia-idade que condena o comportamento irregular do vizinho passa todos os domingos os olhos pelo rabo da empregada de pastelaria que o serve em família; algumas vezes tem no seu telemóvel o número de uma voz mais nova e nem por isso mais fresca com que se esfregará, apressado, se ela deixar.
Digo: "Não acreditem", e ouço ao fundo a minha própria televisão. Thank God que só o gato a mira, mais interessado na mosca que insiste em esvoaçar diante dos rodapés dramáticos.
Dou por mim a repetir tudo isto, insistentemente. Para quê?... Se as ovelhas mal sentem o ferro que lhes abrirá o crânio?
4 de maio de 2005
TEATRO
Já tentaram montar uma peça de forma legal, em Lisboa? Fora de um teatro? É extraordinário o percurso a fazer, as licenças que ninguém da Cãmara fazia ideia serem necessárias, o absurdo e o custos das mesmas. Tudo leva ao desânimo ou à batota. A mesma que fazem connosco, os cidadãos, diariamente. Cultura? Não sabem o que seja... Ainda se fossem sardinhas psicadélicas para o Santo António, ou algum espectáculo dos Abba. E não se lhes está a pedir dinheiro para nada...
Oh, valha-me Deus!
Já tentaram montar uma peça de forma legal, em Lisboa? Fora de um teatro? É extraordinário o percurso a fazer, as licenças que ninguém da Cãmara fazia ideia serem necessárias, o absurdo e o custos das mesmas. Tudo leva ao desânimo ou à batota. A mesma que fazem connosco, os cidadãos, diariamente. Cultura? Não sabem o que seja... Ainda se fossem sardinhas psicadélicas para o Santo António, ou algum espectáculo dos Abba. E não se lhes está a pedir dinheiro para nada...
Oh, valha-me Deus!
REFERENDUM
Todas as estatísticas apontam para uma maioria de portugueses favorável à lei da despenalização do aborto. Se apenas votassem mulheres em idade fértil, essa maioria seria ainda maior. Agora, os encolhidos que nos governam, mais preocupados com eleições do que com a vida das mulheres, acenaram com um referendo. Adiado para as calendas. Até lá, restam as clínicas privadas portuguesas para as mais endinheiradas e as londrinas, para as mulheres dos militantes do cds e do psd.
SE isto fosse um país de gente com vontade e não um redil de ovelhas, o que estaria a ser pedido seria a aprovação imediata da lei pela maioria de esquerda. E as mulheres estariam na rua, a gritarem-no alto.
Assim, fazem delicadamente o jogo dos que não brincam em serviço para manter o mundo na sua medievalidade.
Todas as estatísticas apontam para uma maioria de portugueses favorável à lei da despenalização do aborto. Se apenas votassem mulheres em idade fértil, essa maioria seria ainda maior. Agora, os encolhidos que nos governam, mais preocupados com eleições do que com a vida das mulheres, acenaram com um referendo. Adiado para as calendas. Até lá, restam as clínicas privadas portuguesas para as mais endinheiradas e as londrinas, para as mulheres dos militantes do cds e do psd.
SE isto fosse um país de gente com vontade e não um redil de ovelhas, o que estaria a ser pedido seria a aprovação imediata da lei pela maioria de esquerda. E as mulheres estariam na rua, a gritarem-no alto.
Assim, fazem delicadamente o jogo dos que não brincam em serviço para manter o mundo na sua medievalidade.
30 de abril de 2005
RESULTADOS ICAM
Já saiu a lista com os 3 filmes escolhidos pelo júri do ICAM. Os sorteados com 130.000 contos são: Miguel Gomes, Fernando Fragata e Catarina Ruivo.
Não vi o ANDRÉ VALENTE, desta última, não posso avaliar (claro que não sou surdo e já ouvi comentários, mas não vi o filme), mas quanto aos outros dois... Deus nos acuda!
A parte boa do concurso é que não vamos ter de aturar nenhum filme do José Carlos Oliveira. Ao menos isso.
A única coisa que posso dizer aos que desesperam... será: peguem nos computadores e escrevam; peguem nas mini-dvs e filmem. Pior não hão-de fazer.
Já saiu a lista com os 3 filmes escolhidos pelo júri do ICAM. Os sorteados com 130.000 contos são: Miguel Gomes, Fernando Fragata e Catarina Ruivo.
Não vi o ANDRÉ VALENTE, desta última, não posso avaliar (claro que não sou surdo e já ouvi comentários, mas não vi o filme), mas quanto aos outros dois... Deus nos acuda!
A parte boa do concurso é que não vamos ter de aturar nenhum filme do José Carlos Oliveira. Ao menos isso.
A única coisa que posso dizer aos que desesperam... será: peguem nos computadores e escrevam; peguem nas mini-dvs e filmem. Pior não hão-de fazer.
28 de abril de 2005
A COSTUMEIRA CRÓNICA DO INDIE
Malgré a transferência forçada para o F. Lisboa, e a respectiva extensão às 3 salas do King, o festival soma e segue. Com as sessões permanentemente esgotadas vai a caminho de um novo recorde de espectadores. Levassem as kinguianas salitas mais e os números seria ainda mais interessantes. Afinal, nem tudo está perdido no país das pipocass.
Uma das coisas mais comoventes de ver é a forma como os novos realizadores, quando são bons, reagem ao elogio da obra. É uma coisa à... "Tá bem, pronto! Olha, fiz o melhor que sabia para os poucos meios que tinha". E isso é bom.
O oposto se passa com os mais fracos. Perante a mitigada recepção do seu trabalho, frequentemente passam à defesa. Life's tough!
No Lux, até às quinhentas, falou-se (ou antes, gritou-se) sobre cinema, países de origem e país de acolhimento. Um festival também se faz deste ambiente. O pior é o dia seguinte... Por falar nisso, não sei onde pára o Gurosan...
Malgré a transferência forçada para o F. Lisboa, e a respectiva extensão às 3 salas do King, o festival soma e segue. Com as sessões permanentemente esgotadas vai a caminho de um novo recorde de espectadores. Levassem as kinguianas salitas mais e os números seria ainda mais interessantes. Afinal, nem tudo está perdido no país das pipocass.
Uma das coisas mais comoventes de ver é a forma como os novos realizadores, quando são bons, reagem ao elogio da obra. É uma coisa à... "Tá bem, pronto! Olha, fiz o melhor que sabia para os poucos meios que tinha". E isso é bom.
O oposto se passa com os mais fracos. Perante a mitigada recepção do seu trabalho, frequentemente passam à defesa. Life's tough!
No Lux, até às quinhentas, falou-se (ou antes, gritou-se) sobre cinema, países de origem e país de acolhimento. Um festival também se faz deste ambiente. O pior é o dia seguinte... Por falar nisso, não sei onde pára o Gurosan...
27 de abril de 2005
TUDO ESTÁ BEM QUANDO ACABA...
O nosso Major está de regresso aos tachos. Bem-haja. Já nem conhecia este Portugal com polícias a trabalharem de facto e tribunais não-amedrontados.
Felizmente que está tudo a voltar ao que era: provas anuladas por questões processuais, processos que se arrastarão até não darem em nada; futebol e construtoras de mãos dadas com autarquias.
Rezemos, contentes, o terço que o nosso Portugal está de volta.
O nosso Major está de regresso aos tachos. Bem-haja. Já nem conhecia este Portugal com polícias a trabalharem de facto e tribunais não-amedrontados.
Felizmente que está tudo a voltar ao que era: provas anuladas por questões processuais, processos que se arrastarão até não darem em nada; futebol e construtoras de mãos dadas com autarquias.
Rezemos, contentes, o terço que o nosso Portugal está de volta.
NOTÍCIAS REQUENTADAS... E AINDA ASSIM...
Agora com o Público On-line pagantibus, resta-nos reler as velhas revistas, os jornais roubados aos sem-abrigo, enfim... , a decadência.
Na edição de Novembro de 2004 dos Cahiers, leio que o Ministro da Indústria francesa atendera, finalmente, aos pedidos dos exibidores em sala, permitindo a instalação de aparelhos que impedissem os telemóveis de funcionar. Deixou de ser possível ouvir nas sessões da tarde, as mães de família explicarem ao filho mais novo como é que se faz um refogado. Por cá também chegaremos a esse estado. Assim que os nossos ministros começarem a desligar os telemóveis durante as sessões de "O Chupeta".
Na mesma página, a notícia da decisão do tribunal que julgou a pretensão do professor primário do "Être et Avoir" ("Ser e Ter"), de NicholasPhilibert a "artista co-autor". O senhor aspirava a uma reforma mais tranquila e por isso solicitou 250.000 euros ao documentarista. Helàs, o tribunal deu-lhe um grande abraço e mandou-o de mãos vazias para a agência do Club Med.
Agora com o Público On-line pagantibus, resta-nos reler as velhas revistas, os jornais roubados aos sem-abrigo, enfim... , a decadência.
Na edição de Novembro de 2004 dos Cahiers, leio que o Ministro da Indústria francesa atendera, finalmente, aos pedidos dos exibidores em sala, permitindo a instalação de aparelhos que impedissem os telemóveis de funcionar. Deixou de ser possível ouvir nas sessões da tarde, as mães de família explicarem ao filho mais novo como é que se faz um refogado. Por cá também chegaremos a esse estado. Assim que os nossos ministros começarem a desligar os telemóveis durante as sessões de "O Chupeta".
Na mesma página, a notícia da decisão do tribunal que julgou a pretensão do professor primário do "Être et Avoir" ("Ser e Ter"), de NicholasPhilibert a "artista co-autor". O senhor aspirava a uma reforma mais tranquila e por isso solicitou 250.000 euros ao documentarista. Helàs, o tribunal deu-lhe um grande abraço e mandou-o de mãos vazias para a agência do Club Med.
24 de abril de 2005
FESTA DA MÚSICA
Malgré as corridas cinéfilas, ainda arranjei tempo para 2 concertos da Festa da Música. É sempre maravilhoso ver gente a correr apressada entre as pesadas paredes do CCB, para ouvir um intérprete. Este ano, com o amigo da 9ª, obviamente, ainda teve mais gente. O português adora ver o que já viu. É de ser desconfiado; ao menos ali tem um valor seguro.
Vai soar mal mas quase que gostei de quase não conseguir encontrar um lugar para estacionar nas redondezas. Quem dera que este balão de oxigénio cultural fizesse escola...
Malgré as corridas cinéfilas, ainda arranjei tempo para 2 concertos da Festa da Música. É sempre maravilhoso ver gente a correr apressada entre as pesadas paredes do CCB, para ouvir um intérprete. Este ano, com o amigo da 9ª, obviamente, ainda teve mais gente. O português adora ver o que já viu. É de ser desconfiado; ao menos ali tem um valor seguro.
Vai soar mal mas quase que gostei de quase não conseguir encontrar um lugar para estacionar nas redondezas. Quem dera que este balão de oxigénio cultural fizesse escola...
DIAS DE FESTIVAL
A escolha no Indie é sempre difícil... e pessoal (cada cabeça sua sentença), mas sempre vou destacando para amanhã, 25 de Abril, nas longas o filme de abertura BORN INTO BROTHELS; a Competição Curtas 3 (destaque para o filme BONTEN, de Keisaku Sato, Japão, e para o experimental português COLLECTIVE, de Ruben Santiago). O AALTRA, que lidera a preferência do público fará a sua última aparição.

COLLECTIVE, Portugal
A escolha no Indie é sempre difícil... e pessoal (cada cabeça sua sentença), mas sempre vou destacando para amanhã, 25 de Abril, nas longas o filme de abertura BORN INTO BROTHELS; a Competição Curtas 3 (destaque para o filme BONTEN, de Keisaku Sato, Japão, e para o experimental português COLLECTIVE, de Ruben Santiago). O AALTRA, que lidera a preferência do público fará a sua última aparição.

COLLECTIVE, Portugal
21 de abril de 2005
CINEMA
Hoje começa o Indie. Em sessão inaugural, para convidados, mas desta vez, o filme de abertura poderá ser visto noutra sessão.
Às 22.oo h, o programa de curtas. Destaque para o suspense do filme espanhol, "Diez Minutos", para o USELESS DOG, um documentário estupidamente divertido sobre um cão que não serve para nada (este filme é do realizador irlandês, Ken Wardrop, de quem poderemos ver o maravilhoso UNDRESSING MY MOTHER, noutra sessão). E ainda, RYAN, outro filme oscarizado, que cruza 3D com imagem real, num argumento seco e contundente. A sessão termina com um documentário onírico, HIMMEL FILM (em tradução selvagem, "filme do céu" - digo eu, que não falo alemão...).
O resto pode ser consultado no site do festival.
Hoje começa o Indie. Em sessão inaugural, para convidados, mas desta vez, o filme de abertura poderá ser visto noutra sessão.
Às 22.oo h, o programa de curtas. Destaque para o suspense do filme espanhol, "Diez Minutos", para o USELESS DOG, um documentário estupidamente divertido sobre um cão que não serve para nada (este filme é do realizador irlandês, Ken Wardrop, de quem poderemos ver o maravilhoso UNDRESSING MY MOTHER, noutra sessão). E ainda, RYAN, outro filme oscarizado, que cruza 3D com imagem real, num argumento seco e contundente. A sessão termina com um documentário onírico, HIMMEL FILM (em tradução selvagem, "filme do céu" - digo eu, que não falo alemão...).
O resto pode ser consultado no site do festival.
20 de abril de 2005
O AR DOS TEMPOS
A eleição do Cardeal Ratazana (em português, tal como Benito deu Bento) foi tudo menos surpreendente. Apenas a consagração do início de século conservador, que reage pela força aos movimentos que não percebe. Nem todos ficaram descontentes: o povalhão não faz ideia de quem o homem era; presume que foi nosso senhor que transformou o fumo preto em branco e toca a andar; a Banca estará satisfeita com a eleição de um homem que não se coibirá de exigir a dízima às paróquias mais recatadas (será interessante lembrar que o actual papa foi o homem que assinou a condenação da Teologia da Libertação que remetia a Igreja para a defesa dos mais pobres, acusando-a de "marxista") ; a o Opus Dei, vê coroado o seu esforço de ter um chefe declaradamente dos seus.
Com esta escolha os católicos bem podem começar a cortar a pila e preparar a corda para as flagelações. AS católicas... ficam na mesma, já que não contam. Aliás, isto lança-nos numa questão teológica: qual é o sexo de deus? Já que só gosta de homens e a homossexualidade é um assunto que deve ficar recolhido no interior das sacristias... ou é mulher ou a coisa é contraditória.
Enfim, há-de passar, como a Inquisição passou e o fascismo italiano se foi, pendurado pelos pés numa pose macabra. Ou apenas como uma moinha própria dos tempos que vivemos.
A eleição do Cardeal Ratazana (em português, tal como Benito deu Bento) foi tudo menos surpreendente. Apenas a consagração do início de século conservador, que reage pela força aos movimentos que não percebe. Nem todos ficaram descontentes: o povalhão não faz ideia de quem o homem era; presume que foi nosso senhor que transformou o fumo preto em branco e toca a andar; a Banca estará satisfeita com a eleição de um homem que não se coibirá de exigir a dízima às paróquias mais recatadas (será interessante lembrar que o actual papa foi o homem que assinou a condenação da Teologia da Libertação que remetia a Igreja para a defesa dos mais pobres, acusando-a de "marxista") ; a o Opus Dei, vê coroado o seu esforço de ter um chefe declaradamente dos seus.
Com esta escolha os católicos bem podem começar a cortar a pila e preparar a corda para as flagelações. AS católicas... ficam na mesma, já que não contam. Aliás, isto lança-nos numa questão teológica: qual é o sexo de deus? Já que só gosta de homens e a homossexualidade é um assunto que deve ficar recolhido no interior das sacristias... ou é mulher ou a coisa é contraditória.
Enfim, há-de passar, como a Inquisição passou e o fascismo italiano se foi, pendurado pelos pés numa pose macabra. Ou apenas como uma moinha própria dos tempos que vivemos.
16 de abril de 2005
A CIBERNÉTICA
Em Junho, estreia a minha primeira encenação, em colaboração com a Carlota Gonçalves (que trabalhou noutras peças, como "Clube de Gelo" ou "Amok"...). Um texto original, escrito propositadamente para o espaço da CASA AMARELA (na rua da Boavista, entre Santos e o Cais do Sodré) em Lisboa e para 2 actores de quem gosto: Ângelo Torres (que foi shooting star - à séria... - em Berlim, e que tem trabalhado com diversas companhias nacionais) e a Sandra Celas (peça, "A Conspiração", "Manobras de diversão", além de fiel amiga do cão Max (lol, perdão, não resisti, querida amiga...), na pele de uma jornalista tenaz, entre outros trabalhos ).
As novidades e o diário de bordo, encontram-se no blog: www.acibernetica.blogs.sapo.pt .
Em Junho, quando as noites ficarem mais doces, a história de uma mulher ligada por um cabo ao mundo virtual, em plena alienação. Até ao dia em que um prestimoso funcionário se apresenta para a desligar...
Em Junho, estreia a minha primeira encenação, em colaboração com a Carlota Gonçalves (que trabalhou noutras peças, como "Clube de Gelo" ou "Amok"...). Um texto original, escrito propositadamente para o espaço da CASA AMARELA (na rua da Boavista, entre Santos e o Cais do Sodré) em Lisboa e para 2 actores de quem gosto: Ângelo Torres (que foi shooting star - à séria... - em Berlim, e que tem trabalhado com diversas companhias nacionais) e a Sandra Celas (peça, "A Conspiração", "Manobras de diversão", além de fiel amiga do cão Max (lol, perdão, não resisti, querida amiga...), na pele de uma jornalista tenaz, entre outros trabalhos ).
As novidades e o diário de bordo, encontram-se no blog: www.acibernetica.blogs.sapo.pt .
Em Junho, quando as noites ficarem mais doces, a história de uma mulher ligada por um cabo ao mundo virtual, em plena alienação. Até ao dia em que um prestimoso funcionário se apresenta para a desligar...
GATOS, CÃES E RÓTULOS
Sai agora mais um livro sobre gatos e os seus donos. Em resumo, faz-se a apologia que por detrás de cada grande escritor... está sempre um gato. Isso diverte-me. Mas também lá poderíamos meter um cão, que iria dar ao mesmo. Existem montes de pessoas que querem por força saber se somos "dog lovers" ou "cat lovers". Aparentemente isto iria caracterizar por via indirecta a nossa visão do mundo. Parece-me a coisa um cadinho limitada, embora se possa equacionar o problema. O Steinbeck fez "Viagens com Charley", calculo que deva ser por isso que era um aventureiro, um homem de acção e por aí fora. Já o povo dos gatos é dado por mais astuto, menos leal e sobretudo, menos previsível. O mito das bruxas e dos seus diabólicos assistentes felinos é um reflexo dessa ideia.
Desde miúdo que tive animais por perto. Cães, alguns apanhados na estrada com pernas partidas e vestidos de carraças, outros grandes e de olhos mansos, muitos rafeiros de paciência curta e dente afiado para os estranhos. Mas também tive gatos. Cinzentos, listrados, brancos... Destes últimos adorava a agilidade e a forma como escolhiam o momento de demonstrar o seu afecto. A independência de roçar por nós e, imediatamente a seguir, saltar para o telhado e ir à sua vida. Muitos voltavam.
Nos cães amava o contrário: a forma como poderiam passar horas com o focinho deitado sobre as nossas pernas, em outra preocupação que não fosse fazer parte da nossa matilha.
Frequentemente dou por mim desencaixado dos rótulos. Não caibo nas listas em que a maioria gosta de pregar as pessoas com alfinetes; no local seguro em que se sabe o que se espera. E nem por isso me dou por menos leal; gosto é de saber que me pertenço.
Deve-me ter ficado esta mania do tempo em que me sentava à sombra de um limoeiro, um cão castanho aos pés, um gato no colo e um livro na mão...
Sai agora mais um livro sobre gatos e os seus donos. Em resumo, faz-se a apologia que por detrás de cada grande escritor... está sempre um gato. Isso diverte-me. Mas também lá poderíamos meter um cão, que iria dar ao mesmo. Existem montes de pessoas que querem por força saber se somos "dog lovers" ou "cat lovers". Aparentemente isto iria caracterizar por via indirecta a nossa visão do mundo. Parece-me a coisa um cadinho limitada, embora se possa equacionar o problema. O Steinbeck fez "Viagens com Charley", calculo que deva ser por isso que era um aventureiro, um homem de acção e por aí fora. Já o povo dos gatos é dado por mais astuto, menos leal e sobretudo, menos previsível. O mito das bruxas e dos seus diabólicos assistentes felinos é um reflexo dessa ideia.
Desde miúdo que tive animais por perto. Cães, alguns apanhados na estrada com pernas partidas e vestidos de carraças, outros grandes e de olhos mansos, muitos rafeiros de paciência curta e dente afiado para os estranhos. Mas também tive gatos. Cinzentos, listrados, brancos... Destes últimos adorava a agilidade e a forma como escolhiam o momento de demonstrar o seu afecto. A independência de roçar por nós e, imediatamente a seguir, saltar para o telhado e ir à sua vida. Muitos voltavam.
Nos cães amava o contrário: a forma como poderiam passar horas com o focinho deitado sobre as nossas pernas, em outra preocupação que não fosse fazer parte da nossa matilha.
Frequentemente dou por mim desencaixado dos rótulos. Não caibo nas listas em que a maioria gosta de pregar as pessoas com alfinetes; no local seguro em que se sabe o que se espera. E nem por isso me dou por menos leal; gosto é de saber que me pertenço.
Deve-me ter ficado esta mania do tempo em que me sentava à sombra de um limoeiro, um cão castanho aos pés, um gato no colo e um livro na mão...
14 de abril de 2005
12 de abril de 2005
A NOSSA MEDIOCRITAS
Para termos noção da ousadia dos nossos intelectuais basta contar o número de escritores "malditos"; os gajos perseguidos e destruídos pela crítica por ousarem um estilo tão original que causa aversão ao estabelecido. ZERO. Somos zero.
Isto quer dizer que andamos todos a dar passos encolhidos, curtinhos, amedrontados, na literatura, na pintura, no cinema e por aí fora.
Na verdade, desconfio que merecemos o país...inho que temos.
Para termos noção da ousadia dos nossos intelectuais basta contar o número de escritores "malditos"; os gajos perseguidos e destruídos pela crítica por ousarem um estilo tão original que causa aversão ao estabelecido. ZERO. Somos zero.
Isto quer dizer que andamos todos a dar passos encolhidos, curtinhos, amedrontados, na literatura, na pintura, no cinema e por aí fora.
Na verdade, desconfio que merecemos o país...inho que temos.
AMÉM 2
O nosso cardeal também veio apelar à rápida canonização do falecido. Segundo ele "Já há notícias de milagres".
Se pensarmos um bocadinho dar-lhe-emos razão: o milagre da multiplicação da sida em muitos países do mundo, com a proibição do uso do perservativo; o do afastamento desgostoso das mulheres católicas e inteligentes que se imaginavam num mundo igualitário; o da proliferação da homossexualidade nos seminários, com a proibição dos jovens padres aspirarem,sequer, ao casamento... Entre outros.
Também calculo que tenha transformado a água de muita gente em vinho, ao pensarem na sua vidinha cheia de proibições em que se pode tudo, menos existir e pensar por si.
O nosso cardeal também veio apelar à rápida canonização do falecido. Segundo ele "Já há notícias de milagres".
Se pensarmos um bocadinho dar-lhe-emos razão: o milagre da multiplicação da sida em muitos países do mundo, com a proibição do uso do perservativo; o do afastamento desgostoso das mulheres católicas e inteligentes que se imaginavam num mundo igualitário; o da proliferação da homossexualidade nos seminários, com a proibição dos jovens padres aspirarem,sequer, ao casamento... Entre outros.
Também calculo que tenha transformado a água de muita gente em vinho, ao pensarem na sua vidinha cheia de proibições em que se pode tudo, menos existir e pensar por si.
AMÉM 1
Pouco a pouco, o Diário de Notícias tem-se vindo a encher de colunistas menores, cujo único critério visível é serem de "direita". As suas palavras nada acrescentam à inteligência e, nalguns casos, atentam contra a nossa. Dito isto, e avançando o meu abraço para os resistentes que ainda por lá andam (sabe Deus com que descoroçoamento, nestes populistas dias...), vou abrir uma excepção e falar dessa criatura que é o João César das Neves. Sim, não vale a pena perder tempo com ele. Já se sabe o que a casa gasta e por aí fora. Mas, em jeito de desabafo, gostaria de partilhar o desconforto contemporâneo, por assim dizer, que me causou a sua última... crónica (?!). Lamenta-se historicamente o homem do flagelo divisionista que foi a Reforma (esse maldito Lutero; o excomungado Calvino) A Igreja "estava desanimada, complexada, à defesa". Foi aí que interveio um "Santo", São Pio V, que "inverteu a situação", com o maravilhoso Concílio de Trento.
Suspiro...
Acreditava eu que não existia ninguém tão fanático que defendesse a Contra-reforma, o crescimento brutal da Inquisição, a perseguição e morte de milhões de pessoas. Mas existe. O descrente em almoços grátis, das Neves, aprova. Não só gostou, como quer ver a coisa de novo. Diz, e bem, que o papa falecido, foi outro "santo" que repetiu o gesto. Um novo contra-reformista. "O impulso apostólico e pastoral de J.P. II mudou completamente o estado de espírito, a atitude dos fiéis (...) O papa deixa uma igreja (...) com a doutrina esclarecida no catecismo (1992), alimentada pelo Jubileu (...), vive num mundo consagrado ao Imaculado Coração de Maria". Muito longe portanto, dos "protestantes" que se distinguem pelo interesse em "descentralização papal e fim da cúria, casamento de padres e ordenação de mulheres, liberdade para o aborto, homossexualidade, divórcio, perservativo, etc...".
Sim, eu sei, são bojardas que não merecem um post... Mas ainda assim...
Pouco a pouco, o Diário de Notícias tem-se vindo a encher de colunistas menores, cujo único critério visível é serem de "direita". As suas palavras nada acrescentam à inteligência e, nalguns casos, atentam contra a nossa. Dito isto, e avançando o meu abraço para os resistentes que ainda por lá andam (sabe Deus com que descoroçoamento, nestes populistas dias...), vou abrir uma excepção e falar dessa criatura que é o João César das Neves. Sim, não vale a pena perder tempo com ele. Já se sabe o que a casa gasta e por aí fora. Mas, em jeito de desabafo, gostaria de partilhar o desconforto contemporâneo, por assim dizer, que me causou a sua última... crónica (?!). Lamenta-se historicamente o homem do flagelo divisionista que foi a Reforma (esse maldito Lutero; o excomungado Calvino) A Igreja "estava desanimada, complexada, à defesa". Foi aí que interveio um "Santo", São Pio V, que "inverteu a situação", com o maravilhoso Concílio de Trento.
Suspiro...
Acreditava eu que não existia ninguém tão fanático que defendesse a Contra-reforma, o crescimento brutal da Inquisição, a perseguição e morte de milhões de pessoas. Mas existe. O descrente em almoços grátis, das Neves, aprova. Não só gostou, como quer ver a coisa de novo. Diz, e bem, que o papa falecido, foi outro "santo" que repetiu o gesto. Um novo contra-reformista. "O impulso apostólico e pastoral de J.P. II mudou completamente o estado de espírito, a atitude dos fiéis (...) O papa deixa uma igreja (...) com a doutrina esclarecida no catecismo (1992), alimentada pelo Jubileu (...), vive num mundo consagrado ao Imaculado Coração de Maria". Muito longe portanto, dos "protestantes" que se distinguem pelo interesse em "descentralização papal e fim da cúria, casamento de padres e ordenação de mulheres, liberdade para o aborto, homossexualidade, divórcio, perservativo, etc...".
Sim, eu sei, são bojardas que não merecem um post... Mas ainda assim...
11 de abril de 2005
FEIRA DO LIVRO DE BRAGA
Amanhã lá vou. De comboio até ao Norte. Ver o Porto a chegar, através da ponte e depois de carro, até um pouco mais acima.
A feira do livro de Braga é uma das que mais acarinha os escritores portugueses. Recebem-nos com a simpatia e a hospitalidade que dantes se associavam a muitas terras e que agora tão raro se encontra. Não nos convidam com cara de frete, como tantos; não se metem a imaginar que os escritores adoram meterem-se à estrada (no caso, à linha) para irem falar de si próprios ou do seu trabalho. Percebem que deve ser um gesto de partilha e respeito mútuo. E, sobretudo, que é a população do concelho quem beneficia mais com estas trocas culturais.
É por isso que é sempre um prazer ir a Braga. Espero que os bracarenses ocorram igualmente a esta feira, por demais merecedora.
Amanhã lá vou. De comboio até ao Norte. Ver o Porto a chegar, através da ponte e depois de carro, até um pouco mais acima.
A feira do livro de Braga é uma das que mais acarinha os escritores portugueses. Recebem-nos com a simpatia e a hospitalidade que dantes se associavam a muitas terras e que agora tão raro se encontra. Não nos convidam com cara de frete, como tantos; não se metem a imaginar que os escritores adoram meterem-se à estrada (no caso, à linha) para irem falar de si próprios ou do seu trabalho. Percebem que deve ser um gesto de partilha e respeito mútuo. E, sobretudo, que é a população do concelho quem beneficia mais com estas trocas culturais.
É por isso que é sempre um prazer ir a Braga. Espero que os bracarenses ocorram igualmente a esta feira, por demais merecedora.
5 de abril de 2005
JORNAIS EM ATRASO
Encontro na minha mesa um recorte de jornal. Já tem várias semanas. Já nem me lembro por que o guardei... Deixa lá procurar....
"O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Pedro Santana Lopes, entregou ontem à tarde o pelouro das Finanças ao vereador do Psd..".... Não era isto, com certeza... "... Na reunião de ontem foi adiada a discussão das propostas relativas, nomeadamente, à aprovação de uma verba adicional de 388,5 mil euros para a construção do túnel do Marquês, justificada com a necessidade de "realização de trabalhos não previstos incialmente", mas não especificados"... Também não me devo ter interessado por isto.... "(...) "Adiada foi também a discussão de uma proposta da vereadora Helena Lopes da Costa relativa à cedência , ao Sporting Clube de Portugal, de duas parcelas de terreno, por um prazo de 30 anos e a título gratuito, para a instalação de dois postos de abastecimento de combustíveis"...
Parece-me tudo normal... não estou a ver o que me terá despertado a atenção nesta notícia minúscula...
Encontro na minha mesa um recorte de jornal. Já tem várias semanas. Já nem me lembro por que o guardei... Deixa lá procurar....
"O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Pedro Santana Lopes, entregou ontem à tarde o pelouro das Finanças ao vereador do Psd..".... Não era isto, com certeza... "... Na reunião de ontem foi adiada a discussão das propostas relativas, nomeadamente, à aprovação de uma verba adicional de 388,5 mil euros para a construção do túnel do Marquês, justificada com a necessidade de "realização de trabalhos não previstos incialmente", mas não especificados"... Também não me devo ter interessado por isto.... "(...) "Adiada foi também a discussão de uma proposta da vereadora Helena Lopes da Costa relativa à cedência , ao Sporting Clube de Portugal, de duas parcelas de terreno, por um prazo de 30 anos e a título gratuito, para a instalação de dois postos de abastecimento de combustíveis"...
Parece-me tudo normal... não estou a ver o que me terá despertado a atenção nesta notícia minúscula...
4 de abril de 2005
ESCRAVOS-HOJE
Leio na versão portuguesa do "Courrier" que no Niger, África ocidental, existem 43000 escravos. Desde o ano passado que a coisa passou a ser proibida, mas ainda pouco mudou.
"Os cativos descendem de negros subjugados em guerras ou raptados. «As mulheres fazem as tarefas domésticas; o dono nunca levanta um dedo» (...) As crianças escravas podem ser oferecidas ou fazer parte de um dote. Separam-nas das mães, para quebrar os laços familiares. As raparigas são frequentemente violadas pelos donos e obrigadas a casar. Um jornal nigerino contou que um homem foi castrado por desobedecer. Os escravos vivem em abrigos improvisados, ao lado das tendas do dono...".
Por que não sabemos nós mais destas situações? Por que não se interessam os media pelo assunto? Por que nunca ouvimos os nossos condoídos "defensores da vida" e da "dignidade da pessoa humana" a falar do assunto; a recolher assinaturas de protesto; a juntar fundos para apoiar os que no terreno lutam contra esta situação? Claro que são "apenas" pretos sem nada, do outro lado do mundo, mas não poderia a hipocrisia cristã fingir, de vez em quando, que se preocupa com males que já deveriam ter sido erradicados da face da terra?
Leio na versão portuguesa do "Courrier" que no Niger, África ocidental, existem 43000 escravos. Desde o ano passado que a coisa passou a ser proibida, mas ainda pouco mudou.
"Os cativos descendem de negros subjugados em guerras ou raptados. «As mulheres fazem as tarefas domésticas; o dono nunca levanta um dedo» (...) As crianças escravas podem ser oferecidas ou fazer parte de um dote. Separam-nas das mães, para quebrar os laços familiares. As raparigas são frequentemente violadas pelos donos e obrigadas a casar. Um jornal nigerino contou que um homem foi castrado por desobedecer. Os escravos vivem em abrigos improvisados, ao lado das tendas do dono...".
Por que não sabemos nós mais destas situações? Por que não se interessam os media pelo assunto? Por que nunca ouvimos os nossos condoídos "defensores da vida" e da "dignidade da pessoa humana" a falar do assunto; a recolher assinaturas de protesto; a juntar fundos para apoiar os que no terreno lutam contra esta situação? Claro que são "apenas" pretos sem nada, do outro lado do mundo, mas não poderia a hipocrisia cristã fingir, de vez em quando, que se preocupa com males que já deveriam ter sido erradicados da face da terra?
30 de março de 2005
JUST DO IT
Este é o país da lamúria. Ó pai, dá-me lá mais dinheiro para fazer muitas peças de 3 dias de apresentação, com textos que só me interessam a mim. Ó tia da cultura, veja lá se arranja um subsídiozinho para eu fazer a curta-metragem que me anda cá dentro... Ó senhor ministro, no dia em que me derem um apoio vou começar a investigar para o meu romance...
As últimas gerações lamentaram-se de não fazerem o que queriam porque ninguém as compreendia ou apoiava. Vamos nós ficar quietos à espera de "serem reunidas condições dignas" para mexermos o cu?
Peço desculpa, mas por mim, vou fazer o que achar que consigo fazer. Será à pobrezinho? Pois vai sendo. Mas não me hão-de levar para a cova, a resmungar que me não deixaram viver ou fazer.
Pergunto a Portugal - ao nosso Portugal atrasado, invejoso e, sobretudo, preguiçoso - não terá chegado o tempo de utilizar a frase do Kennedy e perguntarmos a nós próprios "O que posso fazer pelo meu país?" (e pela minha realização pessoal, já agora) em vez de choramingar o que ele "não faz por mim"?
Este é o país da lamúria. Ó pai, dá-me lá mais dinheiro para fazer muitas peças de 3 dias de apresentação, com textos que só me interessam a mim. Ó tia da cultura, veja lá se arranja um subsídiozinho para eu fazer a curta-metragem que me anda cá dentro... Ó senhor ministro, no dia em que me derem um apoio vou começar a investigar para o meu romance...
As últimas gerações lamentaram-se de não fazerem o que queriam porque ninguém as compreendia ou apoiava. Vamos nós ficar quietos à espera de "serem reunidas condições dignas" para mexermos o cu?
Peço desculpa, mas por mim, vou fazer o que achar que consigo fazer. Será à pobrezinho? Pois vai sendo. Mas não me hão-de levar para a cova, a resmungar que me não deixaram viver ou fazer.
Pergunto a Portugal - ao nosso Portugal atrasado, invejoso e, sobretudo, preguiçoso - não terá chegado o tempo de utilizar a frase do Kennedy e perguntarmos a nós próprios "O que posso fazer pelo meu país?" (e pela minha realização pessoal, já agora) em vez de choramingar o que ele "não faz por mim"?
27 de março de 2005
AINDA MAIS A SUL
A margem esquerda do Guadiana permanece bastante selvagem. E, sobretudo, esquecida. Quem não tem jipe, vai ter de sujar o carro e arriscar a pele no encontro com algum camião perdido (aconteceu-me!) que lhe buzinará a frustração de ter de percorrer terra batida onde se esperaria encontrar (mapa dixit), uma estrada alcatroada.
Posto isto, há o PULO DO LOBO, perto de Serpa, onde as águas se enfurecem no aperto das rochas. Os caminhantes arfam, chapada acima, e casais abraçam-se ("quem é que é o queriducho mais fofinho e corajoso que até traz a sua nina a sítios quase-perigosos, quem é?!").- Mas vale a pena. Os pássaros abundam, das cegonhas aos melros azuis, passando, aqui e além, por uma ave de rapina difícil de identificar. Por todo o lado o sinal vermelho e branco da Caça Turística. As terras a sul de Beja parecem servir apenas para jipes carregados de homens armados passarem os domingos e feriados. Cruzei-me com perdizes mansas que atravessavam a estrada. Calculo que não terão vida longa, a atentar no desgraçado contexto onde se lembraram de nidificar.
Parece-me que este Portugal profundo, cheio de vida animal e desertada pelos seus habitantes mereceria melhor sorte.
Digo eu, que não ganho a vida em S.Bento...
A margem esquerda do Guadiana permanece bastante selvagem. E, sobretudo, esquecida. Quem não tem jipe, vai ter de sujar o carro e arriscar a pele no encontro com algum camião perdido (aconteceu-me!) que lhe buzinará a frustração de ter de percorrer terra batida onde se esperaria encontrar (mapa dixit), uma estrada alcatroada.
Posto isto, há o PULO DO LOBO, perto de Serpa, onde as águas se enfurecem no aperto das rochas. Os caminhantes arfam, chapada acima, e casais abraçam-se ("quem é que é o queriducho mais fofinho e corajoso que até traz a sua nina a sítios quase-perigosos, quem é?!").- Mas vale a pena. Os pássaros abundam, das cegonhas aos melros azuis, passando, aqui e além, por uma ave de rapina difícil de identificar. Por todo o lado o sinal vermelho e branco da Caça Turística. As terras a sul de Beja parecem servir apenas para jipes carregados de homens armados passarem os domingos e feriados. Cruzei-me com perdizes mansas que atravessavam a estrada. Calculo que não terão vida longa, a atentar no desgraçado contexto onde se lembraram de nidificar.
Parece-me que este Portugal profundo, cheio de vida animal e desertada pelos seus habitantes mereceria melhor sorte.
Digo eu, que não ganho a vida em S.Bento...
O MUSEU DA CACA depois dos museus que valem a pena.
Vila Viçosa é linda. Cheia de mármore e uma dimensão modesta nas casas que contrasta com a riqueza do material que as cobre e do tempo que já conta.
Esqueço-me sempre que esta terra é tão antiga.
Lá fui ao Paço Ducal, residência desde o século XIV dos duques de Bragança, impecavelmente mantido, pela fundação do mesmo nome (e suponho, da mesma gente...). Vai-se a trote pelos salões, guiados por gente, obviamente pro-monárquica "Esta sala é dominada pelo quadro com a imagem do Rei D. Carlos" - e era verdade, lá estava ele, pintado. MUITO mais magro do que se conhece das fotografias. E até bonacheirão, calculando-se que a coisa tenha sido retratada antes de se tomar de amores pelas cartucheiras, comezainas e mania de pintar navios, enquanto a mulher, D.Amélia, do alto do seu 1.86m, se entretinha como podia- "Todos já reconheceram, a figura da raínha que introduziu o chá na corte Inglesa..." - ninguém, ou quase, o tinha feito, mas isso não o deteve, benza-o Deus e o PPM... "Uma senhora linda" - Pausa aqui para confessar que ou o conceito de beleza varia muito, de pessoa para pessoa, ou Catarina de Bragança era uma beldade... digamos... do tipo Almodovar... - e por aí adiante). Brincadeiras ao largo, vale sempre a pena ver aquele maravilhoso edifício, com todo o seu recheio. E perceber que os "tesouros incalculáveis" que nos são mostrados só podem ser de nós todos. Pois foram os avós dos nossos avós que suaram e morreram para que alguns pudessem laurear a pevide entre os tapetes persas. Adiante.
Foram 5 euros bem dados.
No dia seguinte fui até ao castelo, ver o museu de arqueologia. Comprei, sem querer, bilhete para o museu da Caça (já sem cedilha, numa das placas). O museu de arq. tem um extraordinário espólio, fruto de recolha e doação de toda a região. Os achados são agrupados por zonas de "achamento" e vão dos primeiros povoamentos, até ao século XVI. Claro que a exploração está nas mãos da mesma fundação. Que mantém tudo limpo e bem catalogado.
Infelizmente, a visita é guiada por um velhote, tatebitate, obviamente alfabetizado, já que, enquanto OBRIGA as pessoas a seguirem-no (não deixando ler a informação jazente ao lado das peças) sempre vai largando: "Isto são pontas de seta. Achadas na herdade dos Pardais" ou coisa que o valha e por aí adiante. Quando protestei, fui remetido para "ordens dos patrões" que não podem deixar ninguém à solta. No final de 20 minutos de frustração, fomos postos na rua deste sítio e enfiados numa sala atroz cheia de pássaros mortos e caçadeiras com torneados de prata. Pedi que me dispensassem e fui protestar à entrada dos museus. Aí, foram amáveis e outra pessoa foi de novo comigo VER TUDO. Daí que vá avisando: vão a Vila Viçosa, vejam o museu de arqueologia, mas DIGAM QUE SÓ QUEREM VER AQUELE. Com sorte, alguém vos deixará ler as informações laterais e apreciar o espantoso número de artefactos.
ps: se não resultar, peçam o livro de reclamações. É magia que acontece.
Vila Viçosa é linda. Cheia de mármore e uma dimensão modesta nas casas que contrasta com a riqueza do material que as cobre e do tempo que já conta.
Esqueço-me sempre que esta terra é tão antiga.
Lá fui ao Paço Ducal, residência desde o século XIV dos duques de Bragança, impecavelmente mantido, pela fundação do mesmo nome (e suponho, da mesma gente...). Vai-se a trote pelos salões, guiados por gente, obviamente pro-monárquica "Esta sala é dominada pelo quadro com a imagem do Rei D. Carlos" - e era verdade, lá estava ele, pintado. MUITO mais magro do que se conhece das fotografias. E até bonacheirão, calculando-se que a coisa tenha sido retratada antes de se tomar de amores pelas cartucheiras, comezainas e mania de pintar navios, enquanto a mulher, D.Amélia, do alto do seu 1.86m, se entretinha como podia- "Todos já reconheceram, a figura da raínha que introduziu o chá na corte Inglesa..." - ninguém, ou quase, o tinha feito, mas isso não o deteve, benza-o Deus e o PPM... "Uma senhora linda" - Pausa aqui para confessar que ou o conceito de beleza varia muito, de pessoa para pessoa, ou Catarina de Bragança era uma beldade... digamos... do tipo Almodovar... - e por aí adiante). Brincadeiras ao largo, vale sempre a pena ver aquele maravilhoso edifício, com todo o seu recheio. E perceber que os "tesouros incalculáveis" que nos são mostrados só podem ser de nós todos. Pois foram os avós dos nossos avós que suaram e morreram para que alguns pudessem laurear a pevide entre os tapetes persas. Adiante.
Foram 5 euros bem dados.
No dia seguinte fui até ao castelo, ver o museu de arqueologia. Comprei, sem querer, bilhete para o museu da Caça (já sem cedilha, numa das placas). O museu de arq. tem um extraordinário espólio, fruto de recolha e doação de toda a região. Os achados são agrupados por zonas de "achamento" e vão dos primeiros povoamentos, até ao século XVI. Claro que a exploração está nas mãos da mesma fundação. Que mantém tudo limpo e bem catalogado.
Infelizmente, a visita é guiada por um velhote, tatebitate, obviamente alfabetizado, já que, enquanto OBRIGA as pessoas a seguirem-no (não deixando ler a informação jazente ao lado das peças) sempre vai largando: "Isto são pontas de seta. Achadas na herdade dos Pardais" ou coisa que o valha e por aí adiante. Quando protestei, fui remetido para "ordens dos patrões" que não podem deixar ninguém à solta. No final de 20 minutos de frustração, fomos postos na rua deste sítio e enfiados numa sala atroz cheia de pássaros mortos e caçadeiras com torneados de prata. Pedi que me dispensassem e fui protestar à entrada dos museus. Aí, foram amáveis e outra pessoa foi de novo comigo VER TUDO. Daí que vá avisando: vão a Vila Viçosa, vejam o museu de arqueologia, mas DIGAM QUE SÓ QUEREM VER AQUELE. Com sorte, alguém vos deixará ler as informações laterais e apreciar o espantoso número de artefactos.
ps: se não resultar, peçam o livro de reclamações. É magia que acontece.
BACK... ENFIM... NA MEDIDA DO POSSÍVEL...
Vou por aí, e tenho vontade de ir publicando fotos dos sítios que encontro, partilhando ideias sobre os lugares e as pessoas. Infelizmente, a portabilidade dos blogues ainda não é (pelo menos nesta versão caseirinha) assim tanta :) E por outro lado, ainda bem. Mais vale deixar que o tempo entre o que me parece e o regresso à base se mantenha. Sempre são umas asneiras que se poupam (lol=.
Vou por aí, e tenho vontade de ir publicando fotos dos sítios que encontro, partilhando ideias sobre os lugares e as pessoas. Infelizmente, a portabilidade dos blogues ainda não é (pelo menos nesta versão caseirinha) assim tanta :) E por outro lado, ainda bem. Mais vale deixar que o tempo entre o que me parece e o regresso à base se mantenha. Sempre são umas asneiras que se poupam (lol=.
23 de março de 2005
13 de março de 2005
FARMÁCIAS

Sócrates não tem coração: estragar assim o fim-de-semana aos farmacêuticos portugueses...
À hora em que escrevo decorrerão por certo reuniões em vários pontos do país. Homens preocupados com o facto de não poderem ganhar rios de dinheiro com a especulação dos trespasses das farmácias suarão. Pessoas tranquilas adormecidas à sombra do "venderemos os medicamentos ao preço que nos apetecer", necessitarão de Alkasetzer (ou de um genérico para o mesmo efeito).
Não há direito de não se deixar enrolar na treta do "perigo para a saúde pública": pois se funcionou desde o salazarismo...! Entram por aí adentro, argumentando que ninguém pede receita de coisa nenhuma nas farmácias desde que haja dinheiro para pagar. Não interessa, SE o farmacêutico quiser PODE negar o medicamento.
Agora, lá vão ter de abrir os cordões à bolsa para pagar a jornalistas que investiguem a vida privada do 1º ministro e do ministro da saúde e que espetem na primeir página tudo o que de comprometedor encontrarem. E se não encontrarem, então que insinuem. Tudo para descredibilizar quem lhes vem roubar os chorudos lucros.
Raios, Portugal está cada vez menos lucro-paradisíaco...!

Sócrates não tem coração: estragar assim o fim-de-semana aos farmacêuticos portugueses...
À hora em que escrevo decorrerão por certo reuniões em vários pontos do país. Homens preocupados com o facto de não poderem ganhar rios de dinheiro com a especulação dos trespasses das farmácias suarão. Pessoas tranquilas adormecidas à sombra do "venderemos os medicamentos ao preço que nos apetecer", necessitarão de Alkasetzer (ou de um genérico para o mesmo efeito).
Não há direito de não se deixar enrolar na treta do "perigo para a saúde pública": pois se funcionou desde o salazarismo...! Entram por aí adentro, argumentando que ninguém pede receita de coisa nenhuma nas farmácias desde que haja dinheiro para pagar. Não interessa, SE o farmacêutico quiser PODE negar o medicamento.
Agora, lá vão ter de abrir os cordões à bolsa para pagar a jornalistas que investiguem a vida privada do 1º ministro e do ministro da saúde e que espetem na primeir página tudo o que de comprometedor encontrarem. E se não encontrarem, então que insinuem. Tudo para descredibilizar quem lhes vem roubar os chorudos lucros.
Raios, Portugal está cada vez menos lucro-paradisíaco...!
12 de março de 2005
GOOD OLD HARRY
Está de volta, em Julho (na versão original), para nos livrar da pouca vergonha Daquele Que Não Se Pode Dizer O Nome (não, infelizmente, não é o Santana Lopes...).
A capa, versão adultos é esta:

O filme sobre o 4º livro, O CÁLICE DE FOGO, também está a chegar. A Rita Skeeter tem este aspecto:

Mais informações nos orgãos melhor informados sobre o assunto, o veritaserum, e o potterish.
Está de volta, em Julho (na versão original), para nos livrar da pouca vergonha Daquele Que Não Se Pode Dizer O Nome (não, infelizmente, não é o Santana Lopes...).
A capa, versão adultos é esta:
O filme sobre o 4º livro, O CÁLICE DE FOGO, também está a chegar. A Rita Skeeter tem este aspecto:
Mais informações nos orgãos melhor informados sobre o assunto, o veritaserum, e o potterish.
11 de março de 2005
A COISA ÚTIL
Ouço os políticos politicamente correctos a dizerem correctamente que isto da escola tem de mudar. A universidade deve formar operários. No sentido da utilidade IMEDIATA dos conteúdos. Ora, eu já partilhei dessa ideia, não há muito. Mas, quando olho à volta e vejo todas as pessoas cujo trabalho admiro e que se formaram Coisas Muito Sérias E Porque Não Bem Pagas... e que trocaram tudo isso por uma nova profissão, começo a discordar. O problema é que raramente se sabe não só que se quer fazer, como se aquilo que gostaríamos é para nós. Como uma roupa porreira... mas que nos fica mal. A nós.
Acredito que a escola deve ensinar o que interessa aprender. Não deve servir os saberzinhos dos doutores, demasiado preguiçosos para se debruçarem sobre os conteúdos que ministram e os adequarem aos alunos. Não deve ser um "Façam como eu digo, mas não façam como eu faço". Deve sim, dotar os alunos de instrumentos básicos para que constituam os seus próprios saberes. Ensinar-lhes o valor da coragem e a nobreza do erro.
E, crime de lesa-magestade em Portugal, desenvolver-lhes o sentido crítico. Ensinar-lhes que o que "eu estou a dizer neste momento, pode ser verdade, ou apenas a maneira como eu, e outros como eu, pensam, agora".
Ouço os políticos politicamente correctos a dizerem correctamente que isto da escola tem de mudar. A universidade deve formar operários. No sentido da utilidade IMEDIATA dos conteúdos. Ora, eu já partilhei dessa ideia, não há muito. Mas, quando olho à volta e vejo todas as pessoas cujo trabalho admiro e que se formaram Coisas Muito Sérias E Porque Não Bem Pagas... e que trocaram tudo isso por uma nova profissão, começo a discordar. O problema é que raramente se sabe não só que se quer fazer, como se aquilo que gostaríamos é para nós. Como uma roupa porreira... mas que nos fica mal. A nós.
Acredito que a escola deve ensinar o que interessa aprender. Não deve servir os saberzinhos dos doutores, demasiado preguiçosos para se debruçarem sobre os conteúdos que ministram e os adequarem aos alunos. Não deve ser um "Façam como eu digo, mas não façam como eu faço". Deve sim, dotar os alunos de instrumentos básicos para que constituam os seus próprios saberes. Ensinar-lhes o valor da coragem e a nobreza do erro.
E, crime de lesa-magestade em Portugal, desenvolver-lhes o sentido crítico. Ensinar-lhes que o que "eu estou a dizer neste momento, pode ser verdade, ou apenas a maneira como eu, e outros como eu, pensam, agora".
8 de março de 2005
LANÇAMENTO
5ª feira, na livraria LER DEVAGAR, em Lisboa, às 19 h.
2 novos projectos do site ATMOSFERAS (www.atmosferas.net).
O primeiro da autoria da escritora Filipa Melo, que cruza hipertextualmente as obras de Marco Polo, Italo Calvino e textos inéditos. Palavras-chave dos autores conduzem-nos aos trabalhos plásticos dos ilustradores: Pedro Proença, Joana Toste e João Fazenda. E à fotografia de João Francisco Vilhena. Design, som e interface de Diogo Valério.
Este vosso criado, em dupla missão, apresenta o projecto BURACOS DE DEUS, realizado em conjunto com Carlota Gonçalves. Depois de uma viagem alucinante (trust me...) aos principais textos sagrados da Humanidade, seleccionaram-se excertos que conduzem ao interior de 6 personagens. Algumas delas contraditórias... mesmo face ao seu deus pessoal.
As curtas metragens são protogonizadas pelos actores - entre outros - Ângelo Torres, Maria d'Aires e Carlos Gomes. Interface e programação de Alexandre Bernardo.
Estes trabalhos estarão on-line, na zona FICÇÕES do referido site, a partir do dia 10 (salvo bug em contrário), mas se quiserem vir tomar um copo e provar o queijito, estejam à vontade ;)
5ª feira, na livraria LER DEVAGAR, em Lisboa, às 19 h.
2 novos projectos do site ATMOSFERAS (www.atmosferas.net).
O primeiro da autoria da escritora Filipa Melo, que cruza hipertextualmente as obras de Marco Polo, Italo Calvino e textos inéditos. Palavras-chave dos autores conduzem-nos aos trabalhos plásticos dos ilustradores: Pedro Proença, Joana Toste e João Fazenda. E à fotografia de João Francisco Vilhena. Design, som e interface de Diogo Valério.
Este vosso criado, em dupla missão, apresenta o projecto BURACOS DE DEUS, realizado em conjunto com Carlota Gonçalves. Depois de uma viagem alucinante (trust me...) aos principais textos sagrados da Humanidade, seleccionaram-se excertos que conduzem ao interior de 6 personagens. Algumas delas contraditórias... mesmo face ao seu deus pessoal.
As curtas metragens são protogonizadas pelos actores - entre outros - Ângelo Torres, Maria d'Aires e Carlos Gomes. Interface e programação de Alexandre Bernardo.
Estes trabalhos estarão on-line, na zona FICÇÕES do referido site, a partir do dia 10 (salvo bug em contrário), mas se quiserem vir tomar um copo e provar o queijito, estejam à vontade ;)
6 de março de 2005
FANTAS-TICO
A organização do Fantasporto veio hoje mostrar-se contente com (dizem) a venda de 40 mil bilhetes para as suas sessões. O que terá sido, nas palavras do seu presidente, "um grande aumento nas vendas".
Tem razão. Foi um aumento. Claro que se alguém se der ao trabalho de ir ao google e ler a imprensa do mês passado em que ele se propunha fazer "meio milhão de espectadores" (mais do que Cannes ou Berlim) poderá ficar decepcionado... Ou lembrar-se dos 120 000 espectadores que, salvo erro, foram declarados no ano passado...
Voltando ao planeta Terra, o resultado real anunciado parece-me bom. E o Porto merece um bom festival. O que me parece ser, por enquanto, o caso.
ps: Já agora, no campo das curtas, atribuir a vitória ao "Abraço do Vento" do excelente animador José Miguel Ribeiro parece-me razoável, já que, no meu entender, se trata talvez da sua obra menos interessante, embora simpática. Aliás, o filme já tinha sido apresentado e premiado no CINANIMA, deste ano.
Agora... "Pastoral", o outro prémio das curtas, é uma obra mais do que falhada: é secante, insípida e pretensiosa ao vómito. Mas enfim, cada festival tem os seus critérios e os seus júris.
A organização do Fantasporto veio hoje mostrar-se contente com (dizem) a venda de 40 mil bilhetes para as suas sessões. O que terá sido, nas palavras do seu presidente, "um grande aumento nas vendas".
Tem razão. Foi um aumento. Claro que se alguém se der ao trabalho de ir ao google e ler a imprensa do mês passado em que ele se propunha fazer "meio milhão de espectadores" (mais do que Cannes ou Berlim) poderá ficar decepcionado... Ou lembrar-se dos 120 000 espectadores que, salvo erro, foram declarados no ano passado...
Voltando ao planeta Terra, o resultado real anunciado parece-me bom. E o Porto merece um bom festival. O que me parece ser, por enquanto, o caso.
ps: Já agora, no campo das curtas, atribuir a vitória ao "Abraço do Vento" do excelente animador José Miguel Ribeiro parece-me razoável, já que, no meu entender, se trata talvez da sua obra menos interessante, embora simpática. Aliás, o filme já tinha sido apresentado e premiado no CINANIMA, deste ano.
Agora... "Pastoral", o outro prémio das curtas, é uma obra mais do que falhada: é secante, insípida e pretensiosa ao vómito. Mas enfim, cada festival tem os seus critérios e os seus júris.
ZAPPING
Num dos canais, a ridícula reconstituição do julgamento de M. Jackson. O actor que faz de Acusação afirmava que o Homem Sem Nariz teria simulado o coito em cima de um manequim (de plástico, imagino...) diante dos seus alegres e muito jovens amiguitos. A ser verdade, julgo que tudo não passaria de uma demonstração de como se sentiam as ex-mulheres - que se abotoaram com o dinheiro dele - quando ele as convidava para uma noite de loucura... Enfim... Sem comentários.
Num dos canais, a ridícula reconstituição do julgamento de M. Jackson. O actor que faz de Acusação afirmava que o Homem Sem Nariz teria simulado o coito em cima de um manequim (de plástico, imagino...) diante dos seus alegres e muito jovens amiguitos. A ser verdade, julgo que tudo não passaria de uma demonstração de como se sentiam as ex-mulheres - que se abotoaram com o dinheiro dele - quando ele as convidava para uma noite de loucura... Enfim... Sem comentários.
3 de março de 2005
O PRIOR
Anda tudo escandalizado com o padre que pagou um anúncio para anunciar as suas decisões eucarísticas. A mim parece-me que o homem está no seu direito. Canónico, no caso. E limita-se a dizer alto, o que outros murmuram no silêncio das sacristias.
As igrejas abominam o sexo porque lhes está vedado. É o mesmo que dizer que uma top model tem celulite e que só um maluco é que dormiria com ela. O sexo não-reprodutivo é a top model dos padres: mais vale desdenhar do que olhar para baixo sem saber o que fazer à erecção.
Anda tudo escandalizado com o padre que pagou um anúncio para anunciar as suas decisões eucarísticas. A mim parece-me que o homem está no seu direito. Canónico, no caso. E limita-se a dizer alto, o que outros murmuram no silêncio das sacristias.
As igrejas abominam o sexo porque lhes está vedado. É o mesmo que dizer que uma top model tem celulite e que só um maluco é que dormiria com ela. O sexo não-reprodutivo é a top model dos padres: mais vale desdenhar do que olhar para baixo sem saber o que fazer à erecção.
1 de março de 2005
ANIVERSÁRIO
Faz por estes dias 2 anos que este blogue foi criado. Um dia destes termina como começou: sem caganças nem choradinhos :) Até lá, gostaria que se continuasse a discutir de tudo. Com a simplicidade caeironiana do primeiro dia. Em Portugal nada se discute a sério. Grita-se muito, toma-se como ofensa pessoal o que não passa de uma discordância de idéias, busca-se o defeito do pormenor em vez de se apreciar a grandeza do todo. Desconfia-se de tudo, sem que as causas da desconfiança sejam debatidas para se manterem ou desaparecerem sem rancor.
O país que eu imagino é mais simples. Mais directo. Não tem medo de errar, nem de pedir desculpa e aprender com o erro. Pergunta o que não percebe. Questiona o que discorda.
O meu país não existe, claro: ainda não existe. Mas nem por isso tenho intenções de o desertar.
Um abraço e obrigado pelos milhares de comentários feitos nestes 2 anos.
Faz por estes dias 2 anos que este blogue foi criado. Um dia destes termina como começou: sem caganças nem choradinhos :) Até lá, gostaria que se continuasse a discutir de tudo. Com a simplicidade caeironiana do primeiro dia. Em Portugal nada se discute a sério. Grita-se muito, toma-se como ofensa pessoal o que não passa de uma discordância de idéias, busca-se o defeito do pormenor em vez de se apreciar a grandeza do todo. Desconfia-se de tudo, sem que as causas da desconfiança sejam debatidas para se manterem ou desaparecerem sem rancor.
O país que eu imagino é mais simples. Mais directo. Não tem medo de errar, nem de pedir desculpa e aprender com o erro. Pergunta o que não percebe. Questiona o que discorda.
O meu país não existe, claro: ainda não existe. Mas nem por isso tenho intenções de o desertar.
Um abraço e obrigado pelos milhares de comentários feitos nestes 2 anos.
28 de fevereiro de 2005
CINEMA
Quando se visiona a maior parte das curtas produzidas e realizadas em Portugal (ou por portugueses) de 2004 e 2005 concluem-se várias coisas.
1. Não há grande diferença entre as curtas que receberam 45000 euros do ICAM e as que foram financiadas com o esforço pessoal de uma equipa. E quando existe, pesa, frequentemente, a favor das últimas.
2. Bastava que os responsáveis que decidem a atribuição de um conjunto limitado de apoios vissem os trabalhos anteriores apoiados pelas pessoas que se recandidatam para que tudo fosse diferente. Duvido que, com um mínimo de honestidade, se voltasse a atribuir um subsídio a um realizador/produtor que concluiu (quando concluiu - há DIVERSOS casos de pessoas que financiam filmes mais antigos com o dinheiro do PRÓXIMO subsídio) uma obra sem ponta de argumento, sem trabalho de direcção de actores, sem iluminação que permita vislumbrar os rostos dos referidos anteriormente, com um som cavernoso e não compreensível e, uma duração que ultrapassa de longe tudo o que a paciência humana pode aguentar.
3. O divórcio entre o interesse do público e a produção existente não deriva da "originalidade" das propostas: antes pelo contrário - basta comparar com centenas de outros filmes feitos na Europa, no mesmo período, para se perceber que há uma diferença entre Querer e Poder; entre ser Original e ser Presunçoso. Do meu ponto de vista, o que falta é conhecimento. Técnico: como se filma, como se ilumina, como se monta, como se escreve um argumento. Os nossos realizadores têm um longo caminho pela frente que passa pela modéstia de aprender em vez da arrogância de se queixar e pedir mais.
Concluindo: falta AVALIAÇÃO; que o público veja e vote. Que os júris saibam seleccionar e perceber as dificuldades técnicas e artísticas de um projecto. Mais: ficaríamos todos melhores se os subsídios fossem radicalmente DIMINUÍDOS. Multiplicar o número de projectos apoiados com menos dinheiro. Para fazer o que eu vi... meus amigos, deveria ser obrigatório PAGAR.
ps: nas Longas, a coisa não é melhor. Mas aí, o jogo de interesses é outro. E a conversa também terá de ser outra.
ps2: agradeço antecipadamente as contribuições úteis a esta discussão. Repito: as úteis.
Quando se visiona a maior parte das curtas produzidas e realizadas em Portugal (ou por portugueses) de 2004 e 2005 concluem-se várias coisas.
1. Não há grande diferença entre as curtas que receberam 45000 euros do ICAM e as que foram financiadas com o esforço pessoal de uma equipa. E quando existe, pesa, frequentemente, a favor das últimas.
2. Bastava que os responsáveis que decidem a atribuição de um conjunto limitado de apoios vissem os trabalhos anteriores apoiados pelas pessoas que se recandidatam para que tudo fosse diferente. Duvido que, com um mínimo de honestidade, se voltasse a atribuir um subsídio a um realizador/produtor que concluiu (quando concluiu - há DIVERSOS casos de pessoas que financiam filmes mais antigos com o dinheiro do PRÓXIMO subsídio) uma obra sem ponta de argumento, sem trabalho de direcção de actores, sem iluminação que permita vislumbrar os rostos dos referidos anteriormente, com um som cavernoso e não compreensível e, uma duração que ultrapassa de longe tudo o que a paciência humana pode aguentar.
3. O divórcio entre o interesse do público e a produção existente não deriva da "originalidade" das propostas: antes pelo contrário - basta comparar com centenas de outros filmes feitos na Europa, no mesmo período, para se perceber que há uma diferença entre Querer e Poder; entre ser Original e ser Presunçoso. Do meu ponto de vista, o que falta é conhecimento. Técnico: como se filma, como se ilumina, como se monta, como se escreve um argumento. Os nossos realizadores têm um longo caminho pela frente que passa pela modéstia de aprender em vez da arrogância de se queixar e pedir mais.
Concluindo: falta AVALIAÇÃO; que o público veja e vote. Que os júris saibam seleccionar e perceber as dificuldades técnicas e artísticas de um projecto. Mais: ficaríamos todos melhores se os subsídios fossem radicalmente DIMINUÍDOS. Multiplicar o número de projectos apoiados com menos dinheiro. Para fazer o que eu vi... meus amigos, deveria ser obrigatório PAGAR.
ps: nas Longas, a coisa não é melhor. Mas aí, o jogo de interesses é outro. E a conversa também terá de ser outra.
ps2: agradeço antecipadamente as contribuições úteis a esta discussão. Repito: as úteis.
26 de fevereiro de 2005
CHOVE EM SANTIAGO
Afinal, Fátima tem razão de existir. Depois de terem rezado uma série de missas para que começasse a chover, ela aí está, a malandra, a molhar quanto pode. Ora toma lá, ó céptico!
E se outra prova fosse necessária, bastaria referir a forma como até ao momento praticamente não choveu em Lisboa, reduto de ateus e de votantes no Bloco de Esquerda (malgré as indicações dos párocos locais, helàs!). Não admira que a fraca precipitação só se verifique na zona da Lapa, Basílica da Estrela, largo do Caldas e alto do Parque Eduardo VII.
Deus não dorme.
Afinal, Fátima tem razão de existir. Depois de terem rezado uma série de missas para que começasse a chover, ela aí está, a malandra, a molhar quanto pode. Ora toma lá, ó céptico!
E se outra prova fosse necessária, bastaria referir a forma como até ao momento praticamente não choveu em Lisboa, reduto de ateus e de votantes no Bloco de Esquerda (malgré as indicações dos párocos locais, helàs!). Não admira que a fraca precipitação só se verifique na zona da Lapa, Basílica da Estrela, largo do Caldas e alto do Parque Eduardo VII.
Deus não dorme.
SOPAS E DESCANSO
Vasco Pulido Valente, com o seu pessimismo esclarecido, duvida da capacidade do novo governo em mobilizar os portugueses para a "inovação tecnológica" ou para a "iniciativa empresarial". Houve um tempo em que eu achava que ele estava enganado ao descrever o país como um lugar onde um grupo de pessoas suspira para que as deixem em paz, sem se questionarem nas suas rotinas e que sonha apenas com o pãozito (mais ou menos requintado) na mesa. Agora, já não. Portugal sonha com a figura do Pai: o pai é que diz como se faz, o pai ralha ou sorri, mas a comidinha deve aparecer sempre na mesa. Sem perguntas, nem sentido crítico.
Vasco Pulido Valente, com o seu pessimismo esclarecido, duvida da capacidade do novo governo em mobilizar os portugueses para a "inovação tecnológica" ou para a "iniciativa empresarial". Houve um tempo em que eu achava que ele estava enganado ao descrever o país como um lugar onde um grupo de pessoas suspira para que as deixem em paz, sem se questionarem nas suas rotinas e que sonha apenas com o pãozito (mais ou menos requintado) na mesa. Agora, já não. Portugal sonha com a figura do Pai: o pai é que diz como se faz, o pai ralha ou sorri, mas a comidinha deve aparecer sempre na mesa. Sem perguntas, nem sentido crítico.
SMOKING NONSENSE
São 12.000 as pessoas que morrem em Portugal de causas relacionadas com o tabagismo. Perante isto, Manuel Pais Clemente, presidente do Conselho de Prevenção do Tabagismo veio congratular-se, no momento da assinatura de um tratado mundial sobre a matéria. Neste artigo pode ler-se que Portugal "o consumo de tabaco configura "uma das melhores situações da Europa, só ultrapassada pelos países nórdicos", com uma prevalência de 19 por cento de fumadores no conjunto da população, enquanto em Espanha, por exemplo, esse valor atinge os 36 por cento". 19 %?! 19%?! Peço desculpa da insistência, mas em que documentos assentam estas afirmações? Estaremos todos enganados quando achamos que esta percentagem é no mínimo multiplicada por 3? ou 4? Sei que estou a ficar mais fraco da vista, mas não creio que os meus olhos me enganem de tal maneira...
São 12.000 as pessoas que morrem em Portugal de causas relacionadas com o tabagismo. Perante isto, Manuel Pais Clemente, presidente do Conselho de Prevenção do Tabagismo veio congratular-se, no momento da assinatura de um tratado mundial sobre a matéria. Neste artigo pode ler-se que Portugal "o consumo de tabaco configura "uma das melhores situações da Europa, só ultrapassada pelos países nórdicos", com uma prevalência de 19 por cento de fumadores no conjunto da população, enquanto em Espanha, por exemplo, esse valor atinge os 36 por cento". 19 %?! 19%?! Peço desculpa da insistência, mas em que documentos assentam estas afirmações? Estaremos todos enganados quando achamos que esta percentagem é no mínimo multiplicada por 3? ou 4? Sei que estou a ficar mais fraco da vista, mas não creio que os meus olhos me enganem de tal maneira...
24 de fevereiro de 2005
THE CATCHER IN THE RYE E UMA CONFISSÃO
Saiu a tradução (nunca tinha visto nenhuma... talvez existisse) do "The catcher..." o livro que muitos leram no 12º ano, em Inglês 2. Está a ser divertido reencontrar a abordagem linguística de J.D.Salinger ao calão americano dos anos 40. Na Difel, com tradução (boa) de José Lima.
Ah, a confissão: é pá... não consigo ter pachorra para o "Aleph", do Borges. Há-de ser problema meu, mas não dá...
Saiu a tradução (nunca tinha visto nenhuma... talvez existisse) do "The catcher..." o livro que muitos leram no 12º ano, em Inglês 2. Está a ser divertido reencontrar a abordagem linguística de J.D.Salinger ao calão americano dos anos 40. Na Difel, com tradução (boa) de José Lima.
Ah, a confissão: é pá... não consigo ter pachorra para o "Aleph", do Borges. Há-de ser problema meu, mas não dá...
21 de fevereiro de 2005
TOLENTINO
Estava à procura de informação sobre o último livro do José Tolentino Mendoça, poeta que admiro com o coração todo, quando deparei com o site da Assírio. Elegante, discreto e de bom gosto. Como as pessoas que dirigem a editora dos bons poetas. Sou e serei um bom cliente da casa ;)
Quanto ao livro, ainda não o li. Mas num país em que toda a gente é tudo - poeta, inclusivé - sem conseguirem ver a distância que separa o seu ferro-velho da Torre Eiffel de muito poucos, não se pode perder de vista o trabalho do nosso padre-poeta.
Estava à procura de informação sobre o último livro do José Tolentino Mendoça, poeta que admiro com o coração todo, quando deparei com o site da Assírio. Elegante, discreto e de bom gosto. Como as pessoas que dirigem a editora dos bons poetas. Sou e serei um bom cliente da casa ;)
Quanto ao livro, ainda não o li. Mas num país em que toda a gente é tudo - poeta, inclusivé - sem conseguirem ver a distância que separa o seu ferro-velho da Torre Eiffel de muito poucos, não se pode perder de vista o trabalho do nosso padre-poeta.
A CULPA É DOS OUTROS MENINOS!
Santana fez o que se esperava: não se demitiu. O seu EU CEGO é grande, além de alimentado em parte pelos gritinhos das meninas louras e do Granger das telenovelas. Na minha opinião, seria melhor que ele se despachasse a aceitar o tacho que o Luis Delgado já lhe terá preparado na PT, ou outro qualquer dos muitos medíocres ambiciosos que promoveu. Evitava assim, o degradante espectáculo de ver as vísceras comidas pelas hienas saltitantes do seu partido.
Santana fez o que se esperava: não se demitiu. O seu EU CEGO é grande, além de alimentado em parte pelos gritinhos das meninas louras e do Granger das telenovelas. Na minha opinião, seria melhor que ele se despachasse a aceitar o tacho que o Luis Delgado já lhe terá preparado na PT, ou outro qualquer dos muitos medíocres ambiciosos que promoveu. Evitava assim, o degradante espectáculo de ver as vísceras comidas pelas hienas saltitantes do seu partido.
LEITURAS
Acabei finalmente de ler o livro de Ivo Andric, O PÁTIO MALDITO (edição Cavalo de Ferro). Demorei, não porque não fosse interessante. Pelo contrário, a escrita despojada e o facto de ter coisas para dizer fazem dele um autor muito interessante, a seguir, à medida que nos vão chegando traduções. Ler na cama é que demora. Ainda sobra pouco tempo :)
Acabei finalmente de ler o livro de Ivo Andric, O PÁTIO MALDITO (edição Cavalo de Ferro). Demorei, não porque não fosse interessante. Pelo contrário, a escrita despojada e o facto de ter coisas para dizer fazem dele um autor muito interessante, a seguir, à medida que nos vão chegando traduções. Ler na cama é que demora. Ainda sobra pouco tempo :)
19 de fevereiro de 2005
A CAÇA À BRUXA
Lá fui ver o filme "Relatório Kinsey". Sim, não é um grande filme, cinematograficamente falando. E contudo, talvez não fosse má ideia passá-lo em todas as escolas secundárias do país. Para que se percebam duas coisas: uma, de que há mais coisas na Natureza do que tomamos por certo e confortável. Outra, que basta um homem pronunciar desapaixonadamente as palavras "pénis" e "vagina", ou dizer a outros homens que as suas mulheres e avós se masturbam e que muitas delas se envolveram em paixões lésbicas, para que milhares de pessoas se movam para o calar.
Se pensarmos no debate acalorado que gera o ensino da sexualidade nas nossas escolas ou que a maior parte dos portugueses nunca pensaria em pronunciar a palavra "orgasmo" numa de família, para se perceber onde estamos, face ao que foi estudado pelo investigador em meados do século passado.
O sexo mete tanto medo como as cobras. Ora, seria curioso pensar de onde nos vem o pavor da serpente... Digo, eu... ;)
Lá fui ver o filme "Relatório Kinsey". Sim, não é um grande filme, cinematograficamente falando. E contudo, talvez não fosse má ideia passá-lo em todas as escolas secundárias do país. Para que se percebam duas coisas: uma, de que há mais coisas na Natureza do que tomamos por certo e confortável. Outra, que basta um homem pronunciar desapaixonadamente as palavras "pénis" e "vagina", ou dizer a outros homens que as suas mulheres e avós se masturbam e que muitas delas se envolveram em paixões lésbicas, para que milhares de pessoas se movam para o calar.
Se pensarmos no debate acalorado que gera o ensino da sexualidade nas nossas escolas ou que a maior parte dos portugueses nunca pensaria em pronunciar a palavra "orgasmo" numa de família, para se perceber onde estamos, face ao que foi estudado pelo investigador em meados do século passado.
O sexo mete tanto medo como as cobras. Ora, seria curioso pensar de onde nos vem o pavor da serpente... Digo, eu... ;)
O FIM DA CAMPANHA
UFA! Com um bocadinho de sorte, não será preciso andar a gastar o nosso tempo com a política. Afastado o carrapato santanal e diminuída a força de andar para trás do hipócrita azulado, as coisas talvez sosseguem. Por uns tempos. Claro que se sucederão nas próximas semanas as nomeações histéricas de tudo quanto foi boy laranja. Mas isso não será nada a que não estejamos habituados, variando só a quantidade de amarelo que se junta ao vermelho e ao branco.
Como o pesadelo está a terminar também não vale a pena perder tempo a comentar a cartinha chorona do ex-primeiro- que-o-foi. Juro pelos deuses que nunca vi lamúria mais patética. Mas suponho que a coisa deva funcionar com aquele género de mulherio que gosta de ver o parceiro com uma fraldinha. O relatório Kinsey (de que falarei noutro post) explica. Só lido, que contado ninguém acreditaria.
UFA! Com um bocadinho de sorte, não será preciso andar a gastar o nosso tempo com a política. Afastado o carrapato santanal e diminuída a força de andar para trás do hipócrita azulado, as coisas talvez sosseguem. Por uns tempos. Claro que se sucederão nas próximas semanas as nomeações histéricas de tudo quanto foi boy laranja. Mas isso não será nada a que não estejamos habituados, variando só a quantidade de amarelo que se junta ao vermelho e ao branco.
Como o pesadelo está a terminar também não vale a pena perder tempo a comentar a cartinha chorona do ex-primeiro- que-o-foi. Juro pelos deuses que nunca vi lamúria mais patética. Mas suponho que a coisa deva funcionar com aquele género de mulherio que gosta de ver o parceiro com uma fraldinha. O relatório Kinsey (de que falarei noutro post) explica. Só lido, que contado ninguém acreditaria.
17 de fevereiro de 2005
ESTACIONAMENTO
Aparentemente a Câmara de Lisboa está com dificuldade em saber onde fica Campo de Ourique. Devem imaginar que é muito longe. Que outra explicação se encontraria para o facto dos seus funcionários de limpeza, transporte porta-a-porta (enfim, uma ideia que... enfim..), polícia municipal, entre outros, não consigam avistar as dezenas de carros abandonados nas ruas. Quer dizer, se calhar vêem... mas não têm a certeza. Afinal, um carro sem vidros, sem metade das rodas, com lixo lá dentro... pode sempre pertencer a um morador, claro...
Aparentemente a Câmara de Lisboa está com dificuldade em saber onde fica Campo de Ourique. Devem imaginar que é muito longe. Que outra explicação se encontraria para o facto dos seus funcionários de limpeza, transporte porta-a-porta (enfim, uma ideia que... enfim..), polícia municipal, entre outros, não consigam avistar as dezenas de carros abandonados nas ruas. Quer dizer, se calhar vêem... mas não têm a certeza. Afinal, um carro sem vidros, sem metade das rodas, com lixo lá dentro... pode sempre pertencer a um morador, claro...
AINDA A POLÍTICA
Os 2 maiores partidos estão de acordo: é preciso que a escola se torne um meio "útil" de ganhar a vida. Não há tempo a perder com cursos humanísticos ou de cariz artístico. Que a coisa está provada que não alimenta.
Como está longe o sonho de Agostinho da Silva de que o homem deve ser livre de escolher o seu destino. Pelo menos por cá. Pelo menos com estas pessoas.
Os 2 maiores partidos estão de acordo: é preciso que a escola se torne um meio "útil" de ganhar a vida. Não há tempo a perder com cursos humanísticos ou de cariz artístico. Que a coisa está provada que não alimenta.
Como está longe o sonho de Agostinho da Silva de que o homem deve ser livre de escolher o seu destino. Pelo menos por cá. Pelo menos com estas pessoas.
CARTAS AO DIRECTOR
Um leitor, identificando-se como católico, escreveu ao jornal Público interrogando-se sobre a diferença de atitude do actual governo perante a morte de Sophia de Mello Breyner, Maria de Lourdes Pintasilgo e da irmã carmelita Lúcia. "Uma foi talvez a nossa maior poetisa de sempre, candidata ao Prémio Nobel da Literatura e uma cidadã a todos os títulos exemplar; a segundda foi uma mulher integrada numa ordem religiosa, que dedicou a sua vida às mais elevadas causas e trouxe à políticaa marca do seu ideal cristão, chegando a ser a única primeira-ministra de Portugal. A irmã Lúcia foi um exemplo de vida abnegada e simples movida por uma enorme fé em fenómenos ocorridos em Fátima (...) Sabe-se que não houve luto nacional nem funerais de Estado aquando da morte das duas primeiras e esta disparidade de tratamento faz-nos pensar nos valores que nos orientam..."
Pois faz.
Um leitor, identificando-se como católico, escreveu ao jornal Público interrogando-se sobre a diferença de atitude do actual governo perante a morte de Sophia de Mello Breyner, Maria de Lourdes Pintasilgo e da irmã carmelita Lúcia. "Uma foi talvez a nossa maior poetisa de sempre, candidata ao Prémio Nobel da Literatura e uma cidadã a todos os títulos exemplar; a segundda foi uma mulher integrada numa ordem religiosa, que dedicou a sua vida às mais elevadas causas e trouxe à políticaa marca do seu ideal cristão, chegando a ser a única primeira-ministra de Portugal. A irmã Lúcia foi um exemplo de vida abnegada e simples movida por uma enorme fé em fenómenos ocorridos em Fátima (...) Sabe-se que não houve luto nacional nem funerais de Estado aquando da morte das duas primeiras e esta disparidade de tratamento faz-nos pensar nos valores que nos orientam..."
Pois faz.
SERVIÇOS PÚBLICOS
Paulo Portas assenta parte do seu discurso no facto de ter "reparado a injustiça da dívida de Portugal aos ex-combatentes"; segundo ele, um grupo de pessoas que andou nas guerras de África mereceriam o "nosso" reconhecimento pelos "serviços prestados". Expliquem-me lá se estou enganado, mas os "serviços prestados" não consistiram em lançar napalm sobre populações indígenas ou encher de tiros os movimentos que pretendiam a libertação do seu país? Isto merece ser "recompensado"? A mim parece-me mais o contrário.
De duas uma: ou estamos a falar de militares de carreira que escolheram o caminho da guerra, ou estamos a falar de jovens recrutados à força e enfiados em barcos e aviões para irem matar ao serviço de um regime caduco.
Onde é que está a necessidade de "reconhecimento" dos portugueses?
Eu não sei é como é que as gerações imigrantes filhos dos homens que morreram nas ex-colónias não saem à rua em protesto. Isso sim, seria o reconhecimento que as ideias fascistas de Paulo Portas mereceriam.
Paulo Portas assenta parte do seu discurso no facto de ter "reparado a injustiça da dívida de Portugal aos ex-combatentes"; segundo ele, um grupo de pessoas que andou nas guerras de África mereceriam o "nosso" reconhecimento pelos "serviços prestados". Expliquem-me lá se estou enganado, mas os "serviços prestados" não consistiram em lançar napalm sobre populações indígenas ou encher de tiros os movimentos que pretendiam a libertação do seu país? Isto merece ser "recompensado"? A mim parece-me mais o contrário.
De duas uma: ou estamos a falar de militares de carreira que escolheram o caminho da guerra, ou estamos a falar de jovens recrutados à força e enfiados em barcos e aviões para irem matar ao serviço de um regime caduco.
Onde é que está a necessidade de "reconhecimento" dos portugueses?
Eu não sei é como é que as gerações imigrantes filhos dos homens que morreram nas ex-colónias não saem à rua em protesto. Isso sim, seria o reconhecimento que as ideias fascistas de Paulo Portas mereceriam.
15 de fevereiro de 2005
BZZZZZZZZZZZZZZZzzzttt
É maravilhosa a quantidade de "Choques" que os partidos prometem. Ainda não ouvi nenhum falar em CHOQUE CULTURAL. Mas, se pensarmos que o orçamento da cultura é inferior a 0, 6 % e que o mais importante vai ser a COMPETIÇÃO com todos e mais algum, compreende-se. Acrescente-se a isto, a ilusão de que o país real lê regularmente, desenvolveu espírito crítico, e vê bom cinema. O problema é que entre Lisboa e o resto de Portugal existem algumas dificuldades de relevo.
É maravilhosa a quantidade de "Choques" que os partidos prometem. Ainda não ouvi nenhum falar em CHOQUE CULTURAL. Mas, se pensarmos que o orçamento da cultura é inferior a 0, 6 % e que o mais importante vai ser a COMPETIÇÃO com todos e mais algum, compreende-se. Acrescente-se a isto, a ilusão de que o país real lê regularmente, desenvolveu espírito crítico, e vê bom cinema. O problema é que entre Lisboa e o resto de Portugal existem algumas dificuldades de relevo.
RELATÓRIOS
Sugerem que se comente o relatório Kinsey, a partir do filme actualmente em cartaz. Li parte do livro, na minha adolescência... E deus sabe o que a coisa me aliviou. O filme ainda não vi, mas bem-hajas, caro investigador, onde quer que estejas! Provavelmente anda a investigar o sexo dos anjos...
Sugerem que se comente o relatório Kinsey, a partir do filme actualmente em cartaz. Li parte do livro, na minha adolescência... E deus sabe o que a coisa me aliviou. O filme ainda não vi, mas bem-hajas, caro investigador, onde quer que estejas! Provavelmente anda a investigar o sexo dos anjos...
PRAZER_ADIADO
Caros amigos (admitindo que ainda anda por aí alguém cheio de paciência ;) ), têm-me faltado tempo e assunto relevante para actualizar o blogue. De qualquer maneira, basta dar uma vista de olhos ao Sapo para ver que não há político que não blogue (verbo). Ainda escrevem a coisa à inglesa, mas, se não se fartarem antes, lá irão. Ainda neste sentido, seria curioso comparar a atitude de desprezo de tantos jornalistas e meios de comunicação social, de há 2 anos atrás (quando este blogue se iniciou), com a reverência actualmente apresentada. De onde se prova que uns fazem e outros desprezam, antes de seguir. Enfim...
Caros amigos (admitindo que ainda anda por aí alguém cheio de paciência ;) ), têm-me faltado tempo e assunto relevante para actualizar o blogue. De qualquer maneira, basta dar uma vista de olhos ao Sapo para ver que não há político que não blogue (verbo). Ainda escrevem a coisa à inglesa, mas, se não se fartarem antes, lá irão. Ainda neste sentido, seria curioso comparar a atitude de desprezo de tantos jornalistas e meios de comunicação social, de há 2 anos atrás (quando este blogue se iniciou), com a reverência actualmente apresentada. De onde se prova que uns fazem e outros desprezam, antes de seguir. Enfim...
4 de fevereiro de 2005
ZAPPING
Num canal, um programa antigo. Pediam a Maria da Graça (do"Páteo das Cantigas") que cantasse de novo, o seu maior sucesso. E do fundo dos anos 40, ela cantou. E nos seus olhos, o brilho da rapariga bonita e sedutora. E, ao mesmo tempo, o agradecimento por lhe permitirem, por minutos, voltar a ser ela, por inteiro.
Num mundo que nunca reconhece os que nos precederam.
Num canal, um programa antigo. Pediam a Maria da Graça (do"Páteo das Cantigas") que cantasse de novo, o seu maior sucesso. E do fundo dos anos 40, ela cantou. E nos seus olhos, o brilho da rapariga bonita e sedutora. E, ao mesmo tempo, o agradecimento por lhe permitirem, por minutos, voltar a ser ela, por inteiro.
Num mundo que nunca reconhece os que nos precederam.
1 de fevereiro de 2005
O QUE ESTÁ EM JOGO
A derrota esperada de Santana Lopes é um sinal de esperança; um indício que os portugueses que em 1975 não se deixaram acantonar num anacrónico Little Moscow ainda mexem. Talvez o país rasca de falsas tias, levanta-te e ri, pasquins de mexericos e cultura light, baixe a cabeça por uns tempos. Não desaparecerá, porque as ervas daninhas são resistentes. Mas, talvez por um momento, possamos acreditar que Portugal não foi todo entregue aos bichos.
A derrota esperada de Santana Lopes é um sinal de esperança; um indício que os portugueses que em 1975 não se deixaram acantonar num anacrónico Little Moscow ainda mexem. Talvez o país rasca de falsas tias, levanta-te e ri, pasquins de mexericos e cultura light, baixe a cabeça por uns tempos. Não desaparecerá, porque as ervas daninhas são resistentes. Mas, talvez por um momento, possamos acreditar que Portugal não foi todo entregue aos bichos.
2000 LÉGUAS SUBMARINAS
Hoje, com o Público, o meu livro favorito de Verne. Há uma altura na vida em que viajar num submarino de misteriosa tecnologia e alimentar-se de coisas igualmente misteriosas e que cresçam no fundo do mar faz toda a diferença. Não terá o prestígio do Proust, mas que me fez feliz releitura atrás de releitura, isso fez :)
Hoje, com o Público, o meu livro favorito de Verne. Há uma altura na vida em que viajar num submarino de misteriosa tecnologia e alimentar-se de coisas igualmente misteriosas e que cresçam no fundo do mar faz toda a diferença. Não terá o prestígio do Proust, mas que me fez feliz releitura atrás de releitura, isso fez :)
31 de janeiro de 2005
NAS MÃOS
Há livros que mudam a nossa vida; há pessoas que mudam a nossa vida; há encontros que mudam tudo. Num programa de televisão, Lucia Sigalho contava como deixou de ser jornalista e passou a ser actriz: encontrou Agostinho da Silva. Foi entrevistá-lo e ao fim de 3 dias deu por si a passear por Lisboa a mudar o destino.
É como a canção do Sérgio "Ai eu estava quase morto no deserto e o porto aqui tão perto". Nas próprias mãos, na ocorrência.
Há livros que mudam a nossa vida; há pessoas que mudam a nossa vida; há encontros que mudam tudo. Num programa de televisão, Lucia Sigalho contava como deixou de ser jornalista e passou a ser actriz: encontrou Agostinho da Silva. Foi entrevistá-lo e ao fim de 3 dias deu por si a passear por Lisboa a mudar o destino.
É como a canção do Sérgio "Ai eu estava quase morto no deserto e o porto aqui tão perto". Nas próprias mãos, na ocorrência.
S.LUÍS
É um dos teatros mais bonitos e confortáveis da cidade de Lisboa. O vermelho e o dourado predominam, clássicos. Há sítios que nos lembram que de vez em quando se constroem coisas bonitas.
O espectáculo musical "Cabeças no Ar" é simpático. As músicas familiares de Veloso e Gil, bem como as letras (iguais a si mesmas) de Carlos Tê, interessam a audiência. A coisa contada não é nada de especial: uma escola, uma data de rapaziada aos pulos sem saber se há estrelas no céu, um professor "fora" e por aí adiante. Mas funciona e as pessoas gostam. O que é bastante. A maioria dos actores canta bem e não se mexe mal. Destaque (se necessário fosse) para Marco de Almeida, o setôr, que tem uma rábula inicial bem conseguida. A ver.
ps: menos intesssante é o pessoal arrumador. Mesmo sabendo que é chato trabalhar ao sábado, ainda assim não é razão para a senhora que levava as pessoas ao lugar ser grosseira (além de ineficaz). Que eu visse, além de conduzir o público do 1º balcão da forma que a ela melhor convinha, fazendo levantar constantemente, toda a gente, ainda se manifestou em tom rude: "Mostre lá os bilhetes". A senhora visada, com os filhos, lá respondeu delicadamente, que estava onde a tinham colocado. Foi tudo empurrado sem cerimónia para um dos lados, para que o erro de bilheteira se recompusesse. Um teatro destes merecia não ter gente desta no seu interior.
É um dos teatros mais bonitos e confortáveis da cidade de Lisboa. O vermelho e o dourado predominam, clássicos. Há sítios que nos lembram que de vez em quando se constroem coisas bonitas.
O espectáculo musical "Cabeças no Ar" é simpático. As músicas familiares de Veloso e Gil, bem como as letras (iguais a si mesmas) de Carlos Tê, interessam a audiência. A coisa contada não é nada de especial: uma escola, uma data de rapaziada aos pulos sem saber se há estrelas no céu, um professor "fora" e por aí adiante. Mas funciona e as pessoas gostam. O que é bastante. A maioria dos actores canta bem e não se mexe mal. Destaque (se necessário fosse) para Marco de Almeida, o setôr, que tem uma rábula inicial bem conseguida. A ver.
ps: menos intesssante é o pessoal arrumador. Mesmo sabendo que é chato trabalhar ao sábado, ainda assim não é razão para a senhora que levava as pessoas ao lugar ser grosseira (além de ineficaz). Que eu visse, além de conduzir o público do 1º balcão da forma que a ela melhor convinha, fazendo levantar constantemente, toda a gente, ainda se manifestou em tom rude: "Mostre lá os bilhetes". A senhora visada, com os filhos, lá respondeu delicadamente, que estava onde a tinham colocado. Foi tudo empurrado sem cerimónia para um dos lados, para que o erro de bilheteira se recompusesse. Um teatro destes merecia não ter gente desta no seu interior.
29 de janeiro de 2005
LIBERDADE OU A MORTE
O cardeal polaco Antoni Stankiewicz lembrou a posição do Vaticano sobre os casamentos gays: são contra.
Em Portugal, membros da Opus Dei (durante um almoço de confraternização entre administradores do BCP e o seu homem no governo, Bagão) terão aplaudido a afirmação. Segundo consta, um homem de cabeleira loura e fato príncipe de Gales terá mesmo atravessado a sala gritando: "Casar para quê, se ser solteiro e bom rapaz é que dá votos...!".
O cardeal polaco Antoni Stankiewicz lembrou a posição do Vaticano sobre os casamentos gays: são contra.
Em Portugal, membros da Opus Dei (durante um almoço de confraternização entre administradores do BCP e o seu homem no governo, Bagão) terão aplaudido a afirmação. Segundo consta, um homem de cabeleira loura e fato príncipe de Gales terá mesmo atravessado a sala gritando: "Casar para quê, se ser solteiro e bom rapaz é que dá votos...!".
27 de janeiro de 2005
ENVELHECER BEM
Os novos mais velhos lembrar-se-ão da tentativa de eleição de Freitas do Amaral à presidência da república. Além da derrota, ficou-nos a lembrança dos (ridículos) sobretudos verdes e que muita gente usou anos a fio (por razões económicas, suponho). Nesses tempos, poucas coisas sensatas dizia. Contudo, e ao contrário do que normalmente sucede, as suas ideias têm vindo a ficar mais sensatas com o tempo. Claro que os pps o classificam de "esquerdista", mas como habitualmente não possuem mais do que duas palavras no seu vocabulário "Tio" e "comuna", o uso do canhoto termo já é um progresso (em francês parece que sabem dizer "Deneuve" e "vichysoise", mas não contam).
Posto isto, e excluindo os deslizes da dramaturgia, pode-se dizer que o ex-líder do CDS tem envelhecio para melhor. Esperemos que o exemplo se repita, no futuro...
Os novos mais velhos lembrar-se-ão da tentativa de eleição de Freitas do Amaral à presidência da república. Além da derrota, ficou-nos a lembrança dos (ridículos) sobretudos verdes e que muita gente usou anos a fio (por razões económicas, suponho). Nesses tempos, poucas coisas sensatas dizia. Contudo, e ao contrário do que normalmente sucede, as suas ideias têm vindo a ficar mais sensatas com o tempo. Claro que os pps o classificam de "esquerdista", mas como habitualmente não possuem mais do que duas palavras no seu vocabulário "Tio" e "comuna", o uso do canhoto termo já é um progresso (em francês parece que sabem dizer "Deneuve" e "vichysoise", mas não contam).
Posto isto, e excluindo os deslizes da dramaturgia, pode-se dizer que o ex-líder do CDS tem envelhecio para melhor. Esperemos que o exemplo se repita, no futuro...
22 de janeiro de 2005
BOAS NOTÍCIAS 2
Dou o dito por não dito no que se refere à eleição de Santana Lopes e dos seus rapazes-maravilha. A julgar pelas promessas que faz caso seja reeleito, tudo será diferente em 2005. Os impostos, a educação, a saúde! E mesmo as estatísticas que afirmam que o crescimento acontecido em 2004 se referem exclusivamente ao período anterior ao seu mandato, e que daí para a frente foi sempre a descer, poderão ser alteradas. Deve ser um problmema da Amostra...
Dou o dito por não dito no que se refere à eleição de Santana Lopes e dos seus rapazes-maravilha. A julgar pelas promessas que faz caso seja reeleito, tudo será diferente em 2005. Os impostos, a educação, a saúde! E mesmo as estatísticas que afirmam que o crescimento acontecido em 2004 se referem exclusivamente ao período anterior ao seu mandato, e que daí para a frente foi sempre a descer, poderão ser alteradas. Deve ser um problmema da Amostra...
21 de janeiro de 2005
13 de janeiro de 2005
SANTANÉ E PRÍNCIPE
Lol, amigos: já nem vou dizer nada.
Num país em que a taróloga e abelha Maia vem de perna cruzada, sentar-se ao lado do macho-man Cláudio R. , mostrando-se feliz porque "finalmente" as "figuras públicas" começam a dar conferências de imprensa e a enviar press releases sempre que decidem divorciar-se, acredita-se em tudo. Até que o companheiro Santana pode ganhar porque a maioria dos portugueses (segundo as estatísticas) votam "na cor", independentemente do programa ou equipa.
Parece-me contudo, que qualquer pessoa do PSD que não tenha enlouquecido ou não sonhe ser capa da Caras, deveria considerar a hipótese de se abster. Ou Saramaguianamente, votar em branco. A não ser que achem possível viver num país onde a vergonha se esqueceu do nome da mãe.
Lol, amigos: já nem vou dizer nada.
Num país em que a taróloga e abelha Maia vem de perna cruzada, sentar-se ao lado do macho-man Cláudio R. , mostrando-se feliz porque "finalmente" as "figuras públicas" começam a dar conferências de imprensa e a enviar press releases sempre que decidem divorciar-se, acredita-se em tudo. Até que o companheiro Santana pode ganhar porque a maioria dos portugueses (segundo as estatísticas) votam "na cor", independentemente do programa ou equipa.
Parece-me contudo, que qualquer pessoa do PSD que não tenha enlouquecido ou não sonhe ser capa da Caras, deveria considerar a hipótese de se abster. Ou Saramaguianamente, votar em branco. A não ser que achem possível viver num país onde a vergonha se esqueceu do nome da mãe.
12 de janeiro de 2005
PARIS 2
Numa sala do tamanho de um lenço de papel, 80 espectadores e 6 actores. A peça é da dupla Jean-Pierre Bacri, Agnès Jaoui (de quem está em exibição o filme "Comme une image", em Portugal).
Durante mais de uma hora esquecemo-nos de que estamos com as pernas encolhidas para não pisar os actores. O esquecimento advém da qualidade do texto e do trabalho irreprensível dos actores. Não me consta que tivessem necessidade de subsídio e as cadeiras e mesas com que nos convenceram eram muito semelhantes às que encontrámos no café ao lado. Também não percebi que se tratasse do que os nossos "independentes" chamam depreciativamente "Teatro comercial". Era teatro, eram bom, e voltaria na noite seguinte se não houvesse outra peça a ver.
Concluam o que quiserem.
Numa sala do tamanho de um lenço de papel, 80 espectadores e 6 actores. A peça é da dupla Jean-Pierre Bacri, Agnès Jaoui (de quem está em exibição o filme "Comme une image", em Portugal).
Durante mais de uma hora esquecemo-nos de que estamos com as pernas encolhidas para não pisar os actores. O esquecimento advém da qualidade do texto e do trabalho irreprensível dos actores. Não me consta que tivessem necessidade de subsídio e as cadeiras e mesas com que nos convenceram eram muito semelhantes às que encontrámos no café ao lado. Também não percebi que se tratasse do que os nossos "independentes" chamam depreciativamente "Teatro comercial". Era teatro, eram bom, e voltaria na noite seguinte se não houvesse outra peça a ver.
Concluam o que quiserem.
PARIS
Ela está sempre lá, pronta a mostrar-nos o tamanho da nossa aldeia de origem. Somos hobbits, habituados a olhar o rabo dos cavalos que vivem entre nós e a tomá-los por gigantes importantes, os que olham o Sena e os barcos que passam por entre os edifícios monumentais. Ali a tacanhez que levamos agarrada às solas, dissolve-se por um momento. Percebe-se melhor que viver em Portugal não é viver entre os maus, apenas passar a vida na província, a almoçar com os primos. O que pode ser bom, se não esquecermos que existem coisas para lá dos muros da quintinha.
Ela está sempre lá, pronta a mostrar-nos o tamanho da nossa aldeia de origem. Somos hobbits, habituados a olhar o rabo dos cavalos que vivem entre nós e a tomá-los por gigantes importantes, os que olham o Sena e os barcos que passam por entre os edifícios monumentais. Ali a tacanhez que levamos agarrada às solas, dissolve-se por um momento. Percebe-se melhor que viver em Portugal não é viver entre os maus, apenas passar a vida na província, a almoçar com os primos. O que pode ser bom, se não esquecermos que existem coisas para lá dos muros da quintinha.
LE PURPLE JOURNAL
Comprei o número de Inverno da versão francesa, apenas pelo texto que também é capa:
"Dans cette période déxtrême médiocrité historique, de trhaison et de honte: Vivons! Acucueillons le chaos! Affirmons avec joie notre non-participation au monde tel qu'il se détruit! Adoptons la vitesse de la mélodie! Nw plaisons à personne! Aimons! Soupirons aux oreilles des trâitres! N'Apaartenons à rien! Chérissons nos amis américanis! Amusons-nous de la parade! Soyons le vent Soyons la pluie! N'ayons peur de rien! Vivons, car c'est officiel, nous sommes en train de mourir!"
Não poderia estar mais de acordo, ironia incluída.
Comprei o número de Inverno da versão francesa, apenas pelo texto que também é capa:
"Dans cette période déxtrême médiocrité historique, de trhaison et de honte: Vivons! Acucueillons le chaos! Affirmons avec joie notre non-participation au monde tel qu'il se détruit! Adoptons la vitesse de la mélodie! Nw plaisons à personne! Aimons! Soupirons aux oreilles des trâitres! N'Apaartenons à rien! Chérissons nos amis américanis! Amusons-nous de la parade! Soyons le vent Soyons la pluie! N'ayons peur de rien! Vivons, car c'est officiel, nous sommes en train de mourir!"
Não poderia estar mais de acordo, ironia incluída.
6 de janeiro de 2005
A POESIA 2
Em resposta ao repto lançado, aqui fica uma poesia do Alexandre o'Neill, extraída do livro "Poemas da minha vida", do Urbano T. Rodrigues.
"POIS
O respeitoso membro de azevedo e silva
nunca perpenetrou nas intenções de elisa
que eram as melhores. Assim tudo ficou
em balbúrdias de língua cabriolas de mão
Assim tudo ficou até que não.
Azevedo e silva ao volante do mini
vê a elisa a ultrapassá-lo alguns anos depois
e pensa pensa com os seus travões
Ah cabra eram tão puras as minhas intenções.
E a elisa passa rindo dentura aos clarões."
:)
Em resposta ao repto lançado, aqui fica uma poesia do Alexandre o'Neill, extraída do livro "Poemas da minha vida", do Urbano T. Rodrigues.
"POIS
O respeitoso membro de azevedo e silva
nunca perpenetrou nas intenções de elisa
que eram as melhores. Assim tudo ficou
em balbúrdias de língua cabriolas de mão
Assim tudo ficou até que não.
Azevedo e silva ao volante do mini
vê a elisa a ultrapassá-lo alguns anos depois
e pensa pensa com os seus travões
Ah cabra eram tão puras as minhas intenções.
E a elisa passa rindo dentura aos clarões."
:)
SERVIÇO PÚBICO
No outro dia julguei ter ido parar o Canal Memória: uma senhora de idade, parecida com a Olga Cardoso, falava simpática e anacronicamente com pessoas que escrevem em jornais ou apresentam notícias. Estava enganado, o programa era de 2005 e a apresentadora ainda está (por assim dizer) viva. Chamava-se o anacronismo "Clube de Jornalistas".
Lembrei-me, hoje, disso, ao ver a entrevista do director da 2, Manuel Falcão. O homem está contentíssimo com o que por lá se faz e com as franjas de audência que (de vez em quando) ali encalham. Cita o referido programa como exemplo de excelência...
Enfim, o pior cego é que não quer ver. Ou o que nos quer cegar a nós.
No outro dia julguei ter ido parar o Canal Memória: uma senhora de idade, parecida com a Olga Cardoso, falava simpática e anacronicamente com pessoas que escrevem em jornais ou apresentam notícias. Estava enganado, o programa era de 2005 e a apresentadora ainda está (por assim dizer) viva. Chamava-se o anacronismo "Clube de Jornalistas".
Lembrei-me, hoje, disso, ao ver a entrevista do director da 2, Manuel Falcão. O homem está contentíssimo com o que por lá se faz e com as franjas de audência que (de vez em quando) ali encalham. Cita o referido programa como exemplo de excelência...
Enfim, o pior cego é que não quer ver. Ou o que nos quer cegar a nós.
2 de janeiro de 2005
O EMBAIXADOR
Noto, com tristeza, alguma má vontade nos media a respeito das férias do embaixador de pORTUGAL no Sião. Eu não conheço o contrato colectivo que rege esta classe, mas estou certo que além de terem direito a passarem os cargos de forma dinástica, também deverão poder gozar as férias quando lhes apeteça... Tá bem, há o detalhe do maremoto... mas que Diabo...!
ps: gostaria ainda de aventar outra hipótese, para a demora do senhor. É que ao ouvi-lo falar (uma semana depois) no seu país de colocação, percebi que trocava os "Rs", pelos "Gs", tipo Baggança. Talvez tenha vindo a Portugal à procura das fricativas (Rs). O que me parece legítimo.
Noto, com tristeza, alguma má vontade nos media a respeito das férias do embaixador de pORTUGAL no Sião. Eu não conheço o contrato colectivo que rege esta classe, mas estou certo que além de terem direito a passarem os cargos de forma dinástica, também deverão poder gozar as férias quando lhes apeteça... Tá bem, há o detalhe do maremoto... mas que Diabo...!
ps: gostaria ainda de aventar outra hipótese, para a demora do senhor. É que ao ouvi-lo falar (uma semana depois) no seu país de colocação, percebi que trocava os "Rs", pelos "Gs", tipo Baggança. Talvez tenha vindo a Portugal à procura das fricativas (Rs). O que me parece legítimo.
30 de dezembro de 2004
BOM ANO
Caros amigos/visitantes.
O que passou foi complicado para a maioria de nós, com crises financeiras, desgovernos em fuga e a tomada de consciência da linha frágil em que se movem os homens e mulheres de bem portugueses.
Ia escrever: "2005 não poderá ser pior",mas vêm-me à memória as imagens trágicas em directo dos paraísos para ocidentais. E todas as certezas caem por terra. Mesmo as que se referem à importância das coisas que por aqui se discutem. Todos os sobreviventes do maremoto diziam "estou vivo e isso é que interessa". Que nos fique a lição para o ano que começa.
Caros amigos/visitantes.
O que passou foi complicado para a maioria de nós, com crises financeiras, desgovernos em fuga e a tomada de consciência da linha frágil em que se movem os homens e mulheres de bem portugueses.
Ia escrever: "2005 não poderá ser pior",mas vêm-me à memória as imagens trágicas em directo dos paraísos para ocidentais. E todas as certezas caem por terra. Mesmo as que se referem à importância das coisas que por aqui se discutem. Todos os sobreviventes do maremoto diziam "estou vivo e isso é que interessa". Que nos fique a lição para o ano que começa.
19 de dezembro de 2004
2 FILMES NUMA NOITE
Como o Fernando Fragata se declarava vítima do sistema pseudo-intelectual e como o EXPRESSO lhe dedicava uma crítica condescendente, resolvi ir ver o SORTE NULA. Como é sabido, estou entre os que defendem a necessidade de um cinema português mais comunicante.
Havia meia-dúzia de espectadores na enorme sala. Eu fui dos que saí ao fim de 20 minutos. Porquê? Simples: a coisa poderia chamar-se Pesadelo de Qualquer Coisa 2. O realizador simplesmente não tem uma única ideia de realização. Não tem a ver com querer fazer acção, nem do filme ter um orçamento baixo. BALAS E BOLINHOS que é uma brincadeira de amigos é incomparavelmente melhor, esse sim, mereceria ter sido bastante mais apoiado. Comparo os dois, porque ambos são filmes de baixíssimo orçamento. Só que o primeiro não queria ser mais do era; Sorte Nula quer ser tudo o que nunca será. Basicamente, não tem argumento, tem uma imagem pavorosa, os actores (os que o são, em qualquer sentido do termo) andam aos papéis num filme onde não devem ter visto qualquer papel.
Fernando Fragata é um operador de steadycam que gostaria de ser realizador. Mas, e digo isto com uma sinceridade que ele nunca poderá compreender, já que me move apenas o desejo de ver bons filmes, para se ser Spielberg é preciso mais do que deixar crescer as barbas e ir passear para LA.
Fiquei tão agastado com aquela... coisa, que fui a pé até ao Monumental, onde comprei de forma descrente bilhete para A COSTA DOS MURMÚRIOS.
E... percebi a diferença entre o QUERER e o SER CAPAZ. O filme de Margarida Cardoso é absolutamente conseguido, excelente. E não é só pela fotografia que é das melhores que já vi no cinema, ou pelo desempenho dos actores (com destaque para a Beatriz Batarda, claro), mas toda a película respira de forma segura pela mão da realizadora. Margarida Cardoso, que nos habituara desde DOIS DRAGÕES a uma forma rigorosa de filmar, mostra-se aqui em plena maturidade. Perpassa a sombra de Lucrecia Martel, na forma de filmar os ombros desnudados das mulheres. E ainda bem.
É de longe o melhor filme português dos últimos anos. Filma África não como o postal ilustrado que a fotografia poderia produzir, mas de forma significativa e coerente. É "parado", sim, mas não tem nada do pseudo-intelectualismo de que Fragata se queixa (e nalguns casos com razão, basta ver os filmes estreados entre nós). É apenas um belíssimo filme.
Uma noite que começou mal em português, para acabar em beleza, como um céu coberto de flamingos rosa.
Como o Fernando Fragata se declarava vítima do sistema pseudo-intelectual e como o EXPRESSO lhe dedicava uma crítica condescendente, resolvi ir ver o SORTE NULA. Como é sabido, estou entre os que defendem a necessidade de um cinema português mais comunicante.
Havia meia-dúzia de espectadores na enorme sala. Eu fui dos que saí ao fim de 20 minutos. Porquê? Simples: a coisa poderia chamar-se Pesadelo de Qualquer Coisa 2. O realizador simplesmente não tem uma única ideia de realização. Não tem a ver com querer fazer acção, nem do filme ter um orçamento baixo. BALAS E BOLINHOS que é uma brincadeira de amigos é incomparavelmente melhor, esse sim, mereceria ter sido bastante mais apoiado. Comparo os dois, porque ambos são filmes de baixíssimo orçamento. Só que o primeiro não queria ser mais do era; Sorte Nula quer ser tudo o que nunca será. Basicamente, não tem argumento, tem uma imagem pavorosa, os actores (os que o são, em qualquer sentido do termo) andam aos papéis num filme onde não devem ter visto qualquer papel.
Fernando Fragata é um operador de steadycam que gostaria de ser realizador. Mas, e digo isto com uma sinceridade que ele nunca poderá compreender, já que me move apenas o desejo de ver bons filmes, para se ser Spielberg é preciso mais do que deixar crescer as barbas e ir passear para LA.
Fiquei tão agastado com aquela... coisa, que fui a pé até ao Monumental, onde comprei de forma descrente bilhete para A COSTA DOS MURMÚRIOS.
E... percebi a diferença entre o QUERER e o SER CAPAZ. O filme de Margarida Cardoso é absolutamente conseguido, excelente. E não é só pela fotografia que é das melhores que já vi no cinema, ou pelo desempenho dos actores (com destaque para a Beatriz Batarda, claro), mas toda a película respira de forma segura pela mão da realizadora. Margarida Cardoso, que nos habituara desde DOIS DRAGÕES a uma forma rigorosa de filmar, mostra-se aqui em plena maturidade. Perpassa a sombra de Lucrecia Martel, na forma de filmar os ombros desnudados das mulheres. E ainda bem.
É de longe o melhor filme português dos últimos anos. Filma África não como o postal ilustrado que a fotografia poderia produzir, mas de forma significativa e coerente. É "parado", sim, mas não tem nada do pseudo-intelectualismo de que Fragata se queixa (e nalguns casos com razão, basta ver os filmes estreados entre nós). É apenas um belíssimo filme.
Uma noite que começou mal em português, para acabar em beleza, como um céu coberto de flamingos rosa.
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